Foco nas reformas!

O Brasil tem histórico de desperdiçar oportunidades para aprovar reformas, algo que seria o pior cenário para o país neste momento. Em 1984 integrantes do governo federal defenderam a necessidade de uma reforma da previdência que instituísse uma idade mínima.

Caso contrário, alegou a equipe econômica da época, com o envelhecimento da pirâmide demográfica teríamos déficits cada vez maiores no regime previdenciário. A proposta, no entanto, conflitou com o momento de crise política e decadência do regime militar, e o Brasil perdeu uma oportunidade de reforma.

Tivemos de esperar 14 anos para um governo entender a necessidade desta reforma, mas a proposta de idade mínima defendida pelo Governo Fernando Henrique Cardoso não foi aprovada em 1998 por um único voto na Câmara dos Deputados. Mais uma vez o Brasil teria de esperar para aprovar uma reforma.

A proposta de reformar a previdência incluindo uma idade mínima foi novamente encampada a partir de 2016, desta vez pelo governo Temer. No entanto, às vésperas da votação, um escândalo envolvendo o presidente e uma delação do empresário Joesley Batista retirou a proposta de pauta. Novamente, perdeu-se uma oportunidade de reforma.

A idade mínima foi instituída apenas em novembro de 2019, com a aprovação da reforma da previdência protagonizada pelo governo Bolsonaro. Ou seja, ao desperdiçar diversas janelas de oportunidade para aprovação de reformas, o Brasil teve de esperar 35 anos para, enfim, aprovar uma idade mínima para sua previdência.

A consequência foi a deterioração das contas públicas, com o país gastando o dobro de outros países com pirâmide demográfica similar. Enquanto os gastos com previdência subiam exponencialmente, até atingir cerca de 13% do PIB, os investimentos públicos em infraestrutura somaram em 2018 apenas 0,4% do PIB, sete vezes menos do que o necessário.

Reformas hoje para prosperar amanhã

Atualmente o Brasil vive outra janela de oportunidade de reformas, e é preciso foco nas reformas. Nosso ambiente de negócios é caótico, com o país ocupando apenas o 124º lugar no ranking de facilidade de se fazer negócios do Banco Mundial. Dessa forma, empreender, fazer investimentos e gerar empregos, renda e oportunidades por aqui é muito mais difícil do que outros lugares do planeta. É consenso de que o Brasil precisa de reformas que melhorem o setor.

Para isso, o diálogo entre o Congresso e o Executivo é fundamental para colocar os interesses do progresso do país em primeiro lugar. Se isso não for feito, quando teremos outra oportunidade?

A lição da história é cruel: ou os brasileiros se engajam por reformas, ou podemos ter de esperar até 35 anos. Você está disposto a esperar?

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