O mercado de capitais e os holandeses do século XVII

O que os capixabas têm a aprender com os holandeses do século XVII?

A diferença entre países desenvolvidos e os emergentes são suas instituições sólidas, por sua vez construídas por meio de mercados. Os países com mercados de capitais mais bem desenvolvidos são, justamente, aqueles com maior prosperidade e bem-estar.

Diante dessa correlação, para atingirmos novos patamares de progresso é essencial o desenvolvimento de nosso mercado de capitais. No Brasil ainda não atingimos esse patamar: é mega concentrado e parte disso se deve por um ambiente regulatório que cria barreiras de entradas.

Um exemplo disso é que o país ocupou em 2019 a 141ª colocação entre 141 países em “ônus da regulamentação governamental” do Relatório de Competitividade Global elaborado pelo Fórum Econômico Mundial.

Na última década houveram avanços a partir de vários movimentos de desenvolvimento no mercado de capitais no Brasil. Contudo, ele ainda está muito voltado para o varejo, e parte disso se deve a questões culturais.

Há bons exemplos de desenvolvimento e maturidade do mercado de capitais no Brasil. Rio de Janeiro e São Paulo podem servir de modelo: eles podem até mesmo ser comparados em alguns aspectos com mercados internacionais.

Parafraseando o intelectual francês do século XIX Frédéric Bastiat, há o que o mercado vê, está óbvio e nítido, mas ainda há o que o mercado não vê. Afinal, esses dois estados da federação são responsáveis por 43% do PIB, mas e os outros 57%?

Há muitas empresas no Espírito Santo e no restante do país que demandam produtos, serviços e soluções financeiras mais sotisficadas, mas estão sendo negligenciadas.

O que os capixabas têm a aprender com os holandeses do século XVII?

A rota comercial entre Ásia e Europa por meio do Mar Mediterrâneo já era milenar no século XV. Apesar disso, quantidade de atravessadores que se estabeleceram no negócio reduziu substancialmente a margem de lucro das operações.

Uma rota alternativa era possível, mas faltavam recursos tecnológicos para viabilizar essas travessias de forma segura. Para diminuir os riscos, a Companhia Holandesa das Índias Orientais emitiu em 1602 as primeiras ações da história na bolsa de Amsterdã. Em troca, os lucros obtidos se dividiram. 

Sim, essa corporação se tornou a primeira empresa de Sociedade Anônima do mundo e foi o pontapé inicial a um círculo virtuoso que resultou na época dourada dos Países Baixos: eles se tornaram a região com maior renda per capita do mundo à época. 

A importância do mercado de capitais

O mercado de capitais democratiza o uso de recursos, melhorando o fluxo de capitais entre os agentes econômicos. Isso possibilita a alocação de recursos de forma mais eficiente e segura entre os agentes econômicos, que são eu, você, bancos, corretoras, empresas e governos.

Com o desenvolvimento de um mercado de capitais fica mais fácil para empresas captarem recursos e, com isso, realizarem investimentos, contratarem pessoas e inovarem. Em outras palavras: ele não apenas facilita o crescimento das empresas, mas contribui para a geração de riqueza na região em que o mercado de capitais estiver estabelecido. Tudo a partir do melhor uso de recursos dos poupadores, que com isso passam a ter seus investimentos mais bem remunerados.

A partir do desenvolvimento desse mercado de capitais nos Países Baixos, eles viveram dois séculos de ouro, influenciando no comércio, na ciência e na cultura de todo o globo a partir de então.

Essa é a lição que os capixabas têm a aprender com os holandeses do século XVII: desenvolver nosso mercado de capitais é essencial para pavimentarmos o caminho para a época dourada do Espírito Santo. E é isso que a Apex faz.

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