Retorno do comércio: por que o ES é o estado melhor preparado

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Há um plano de contingência no estado do Espírito Santo que foca em evitar a circulação do Coronavírus, ao mesmo tempo em que busca um retorno do comércio para mitigar os impactos econômicos da pandemia.

O governo do estado se baseou no número de contaminados e criou um mapa de risco, para gerir a crise de forma transparente. Por meio deste, as cidades são classificadas de acordo com o seu risco de contágio. 

Muitos municípios capixabas não têm nenhuma notificação e o esforço governamental é exatamente evitar que a doença os atinja. Por outro lado, hoje, há oito cidades com risco alto, especialmente: Serra, Vila Velha e Vitória.

Portanto, o retorno do comércio seguirá de acordo com a quantidade de leitos disponíveis e com o nível de avanço da doença.  

Sistema de saúde melhor e maior quantidade de testes

Embora o risco de subnotificações ainda seja alto, o ES tem realizado muito mais testes proporcionalmente à população do que a média de outros entes federativos do país.

O estado possui 12.288 equipamentos para exame PCR – testagem que utiliza o RNA do vírus, transformando-o em DNA à procura de sinais do Coronavírus – e 47.200 testes rápidos. 

Bem como, é o quinto estado com maior número de respiradores proporcional à população: 36,5 a cada 100 mil habitantes. 

Além disso, o Espírito Santo ainda dispõe de aproximadamente 30% dos seus leitos de UTI. Fora os demais leitos para internação, que apresentam cerca de 57,4% de ocupação até o momento.

Flexibilização da quarentena

Dadas as condições atuais da pandemia no estado, há a possibilidade de reabertura do comércio e de algumas atividades econômicas a partir do dia 4 de maio.

Com o aumento do número de leitos de UTI, para tratar novos casos, e a aquisição de mais testes para COVID-19, o governo estuda flexibilizar o funcionamento de alguns tipos de lojas, como as de rua e as presentes em shoppings.

Algumas atividades foram suspensas desde o dia 20 de março, ou seja, há mais de um mês. Porém, o grande desafio a enfrentar consiste no fato de que o retorno gradual do comércio será em cidades com maior nível de contágio, especialmente a Grande Vitória. 

Dessa forma, algumas regras podem e devem ser aplicadas a esse processo. Entre elas estão: reforçar a limpeza dos estabelecimentos, disponibilizar álcool em gel, dividir os horários de funcionamento, limitar a entrada de clientes e massificar o uso de máscaras.

Conter o vírus é premissa para o retorno do comércio

Vale lembrar, tanto à população quanto aos tomadores de decisão, que retomar as atividades de forma gradual não implica em se descuidar com a doença.

O afrouxamento do isolamento deve ser feito com cautela e a partir de um plano de ações dividido em pilares fundamentais, mantendo o equilíbrio entre saúde e atividade econômica.  

Logo, avaliar a capacidade hospitalar é fundamental para um possível processo de retorno do comércio. Além disso, monitorar o avanço do número de casos suspeitos e confirmados também deve ser prioridade.

Contudo, para monitorar esses movimentos, é preciso ampliar as testagens na população ao máximo e reforçar a fiscalização, à medida que a atividade econômica for retomada.

Por fim, a estratégia também deve incluir o mapeamento dos setores mais vulneráveis e afetados pela paralisação, para que estes sejam priorizados no processo de flexibilização do isolamento social.

Países bem-sucedidos no combate à doença 

No início da pandemia, a Coreia do Sul chegou a ser o segundo país mais afetado, figurando apenas atrás da China.

Nesta semana (27), de acordo com os relatórios de situação (situation reports) da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de casos na população sul-coreana não atingiu a marca de 11 mil.

Já o Japão, soma mais de 13 mil casos. E, apesar do grande número de casos – mais de 155 mil -, a Alemanha possui uma quantidade pequena de mortes, se comparada a outros países com número de casos próximos. 

Esses três países possuem algo em comum: todos trabalham para identificar pessoas suspeitas e infectadas, além de encontrar regiões de alto risco de contaminação.

Por meio do rápido isolamento desses grupos de indivíduos e lugares, foi possível prevenir a multiplicação veloz do vírus e o grande número de mortes. 

As autoridades alemãs, por exemplo, afirmaram que o país tinha a capacidade de 160 mil testagens por semana. Enquanto na Coreia do Sul, onde os testes também foram massificados, havia capacidade de fazer 10 mil exames de identificação por dia.

Esses são alguns exemplos de como estratégias assertivas de combate à doença são essenciais para que a retomada das atividades aconteça de forma segura. Afinal, a contaminação existe, mas controlá-la é obrigação dos chefes de estado.

Se o Espírito Santo deseja o retorno do comércio, não há caminho fácil, pois uma vez feito de forma imprudente, a quarentena generalizada pode compor novamente a realidade dos capixabas.

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