Warren Buffett: os conselhos do investidor para o futuro

Neste sábado (2), houve o encontro anual da Berkshire Hathaway, no qual o diretor executivo Warren Buffett transmitiu alguns resultados da companhia de investimentos, bem como palavras de tranquilidade diante do atual cenário de incertezas do mercado.

Visto que o seu maior ativo é a informação, condensamos os principais pontos abordados durante a live, para que vocês possam conferir abaixo.

Como a pandemia afetou o balanço da empresa

A pandemia do novo Coronavírus afetou fortemente a economia global e a Berkshire Hathaway não foi uma exceção. A companhia registrou um prejuízo trimestral recorde de quase US$ 50 bilhões. Além disso, as sinalizações de expectativas para o segundo trimestre também não foram muito favoráveis.

Buffett expôs que grande parte das empresas da Berkshire sentiram os impactos de forma negativa, havendo perdas de receitas consideráveis. Dessa forma, ativos do grupo sofreram muitos impactos em meio à pandemia: a ferrovia do BNSF, por exemplo, teve redução do número de embarques.

Já a Geico guardou dinheiro para os prêmios de seguro de carro, que não têm expectativas de arrecadação. Outras empresas reduziram salários e deram folgas aos trabalhadores. Por causa da crise, algumas varejistas do grupo, como a See’s Candies e a Nebraska Furniture Mart, tiveram que fechar as lojas.

Desse modo, Buffett permitiu que a participação em dinheiro da Berkshire subisse para US$ 137,3 bilhões, ante ao número de US$ 128 bilhões registrado ao final de 2019. Além disso, a Berkshire recomprou cerca de US$ 1,7 bilhões em ações da própria companhia, sinalizando confiança no próprio ativo.

O resultado do primeiro trimestre de 2020 é consequência de um ano relativamente bom para a empresa, que havia registrado um lucro líquido de, aproximadamente, US$ 21,7 bilhões.

Considerado por Warren Buffett como melhor parâmetro de desempenho, o lucro operacional trimestral foi de US$ 5,87 bilhões, 6% a mais em relação ao resultado anterior.

“Nunca aposte contra a América”

Além de apresentar os resultados da empresa, Buffett relembrou alguns momentos de crise que afetaram de forma considerável a economia americana: a crise de 1929, os ataques terroristas de 2001 e a crise financeira de 2008.

Outra lembrança foi o pânico financeiro vivido em Wall Street no mês de outubro de 1942. Assim como, cenários isolados em que algumas das empresas do grupo sofreram muito: a Geico na década de 1970 e a American Express em 1964.

O executivo também confirmou a incerteza da crise do Coronavírus, mas trouxe tranquilidade ao dizer que confia no potencial americano para superar crises. “A gama de possibilidades na economia ainda é muito ampla”, afirmou.

Por fim, o investidor ainda acrescentou que pode levar muitos anos para avaliar o impacto total da prolongada lateralização da economia dos Estados Unidos. Inclusive, o seu efeito sobre o psicológico dos americanos.

No entanto, ele permanece muito otimista em relação ao futuro: “Enfrentamos problemas mais difíceis e o milagre americano sempre prevaleceu.”

A atuação do Fed

Buffett comparou o atual presidente do Fed a Paul Volcker, cuja atuação moldou a política econômica americana por mais de seis décadas. Em relação ao respaldo da economia após a crise, ele elogiou a atuação do banco central americano: “Eles agiram com determinação e rapidez sem precedentes”.

No que concerne à atual expansão maciça do balanço do Fed, Buffet afirmou que não sabe quais serão as consequências das atuais medidas. Porém, disse: “sabemos as consequências de não fazer nada e devemos muito ao Fed [por evitar o pior]”.

Entre as várias iniciativas lançadas pelo Fed e pelo governo federal americano, há medidas para aumento da liquidez no mercado.

Portanto, foram feitas a Linha de Crédito Corporativo do Mercado Principal (PCMCCF), a Lei CARES e o Programa de Proteção de Pagamento (PPP).

Eleições americanas

Sobre o quadro político, Buffett comentou a situação fiscal do governo dos Estados Unidos e criticou a ineficiência dos democratas ao apontar soluções, sem saber como pagar por elas.

Fim do Ouro Negro? Não para Warren Buffett

Em virtude da demanda reduzida, o empresário apontou que os fundamentos da commodity ainda são favoráveis, porque “não há como mudar o hábito (de consumo) das pessoas de forma tão rápida”.

Principalmente, em relação à troca dos meios de transporte em massa. Hoje, há apenas 70 milhões de carros elétricos disponíveis no mundo, em um universo de mais de 1,2 bilhões.

A crise profunda do setor aéreo: um “erro compreensível”

Há quatro anos, a Berkshire revelou uma aposta surpresa no setor que Buffett havia evitado antes. Em 2019, as companhias aéreas apresentaram seu décimo ano consecutivo de lucros e, portanto, estavam se preparando para um crescimento ainda maior da demanda por viagens no primeiro trimestre deste ano.

Contudo, em virtude da pandemia, a Berkshire Hathaway vendeu cerca de R$ 21,9 bilhões em ações em abril, sendo a maior parte desses ativos de algumas das quatro maiores empresas aéreas dos EUA.

Ao final de 2019, a Berkshire possuía 42,5 milhões (10%) de ações americanas, 58,9 milhões (9,2%) de ações da Delta, 51,3 milhões (10,1% de ações) da Southwest e 21,9 milhões (7,6% de ações) da United.

Essas ações já caíram 62,9%, 58,7%, 45,8% e 69,7%, respectivamente, em 2020.

Buffett explicou a venda dizendo que: “Quando vendemos algo, muitas vezes será toda a nossa participação: não cortamos posições. Se gostamos de um negócio, vamos comprar o máximo possível e mantê-lo o máximo que pudermos. E, quando mudamos de ideia, não tomamos meia medidas”.

Segundo ele, os impactos vividos pelo setor aéreo merecem destaque, pois existe a possibilidade de que as pessoas mudem seus hábitos definitivamente, por causa da doença. Ou, pelo menos, por um período prolongado pós-pandemia. Assim, também considerou que investimentos nesse setor podem ser equivocados.

Por fim, o investidor disse: “Não há alegria em ser CEO de uma companhia aérea. Não sei se daqui a três ou quatro anos as pessoas voarão tantas milhas quanto no ano passado.”

Algumas dicas de Warren Buffett para investidores

Warren Buffett, como um dos maiores investidores do mundo, recomendou cautela àqueles que atuam no mercado, dadas as incertezas proporcionadas pela crise.

Segundo ele, evitar ações que apresentam muita volatilidade diária, assim como ter empresas bem geridas e de boa qualidade no portfólio são passos importantes para qualquer investidor.

Outra dica foi com destaque à ideia de manter essas boas empresas em sua carteira, pensando em um horizonte de longo prazo.

Além disso, Buffett ainda aconselhou o investidor comum a comprar fundos de índice (ETFs) que detenham o S&P 500. Afinal, segundo ele, “é muito incomum” um gestor vencer o mercado.

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