O que esperar do novo corte da Selic na recuperação econômica

queda da Selic

Conforme já tínhamos alertado em nossa Carta do Economista de Maio, teríamos uma nova queda da Selic na reunião do Copom que ocorreria em 6 de maio. De 3,75%, agora a taxa de juros está em 3%, a mínima histórica do índice.

O Banco Central brasileiro segue a tendência do Banco Central Europeu e dos Estados Unidos, buscando manter a liquidez, expandir o crédito e diminuir os juros baixos. Contudo, os efeitos da redução da Selic destoam das políticas verificadas nesses países.

A política monetária adotada até o momento resultou na depreciação do Real frente às moedas dos países desenvolvidos.

Maior desvalorização cambial

Com a nova redução da Selic, a tendência é o aumento da volatilidade cambial, com o Dólar passando a custar ainda mais.

A consequência do dólar em alta é que os exportadores serão beneficiados, enquanto os importadores são prejudicados, já que perdem poder de compra. Ou seja, um pequeno pedaço do setor produtivo se beneficiará ainda mais às custas dos demais.

Além disso, os “não bancarizados” e mais pobres não possuem as ferramentas necessárias para se defender desse aumento dos preços de produtos atrelados ao dólar.

Vale ressaltar que, mesmo os exportadores ganhando em lucratividade com o dólar em alta, não há garantia de que o setor investirá mais para expandir suas atividades. Afinal, o cenário também é de incerteza, o que tende a paralisar investimentos. Assim, temos o pior dos dois mundos.

Por que a ação não vai corresponder às expectativas

Apesar da redução da taxa de juros, esta medida deve ter impacto muito limitado devido à alta concentração bancária no Brasil. Na prática, a queda da Selic não chega na ponta de empresas e consumidores. 

Como o risco Brasil disparou em 2020, marcando 309 pontos, enquanto essa percepção aumenta, a remuneração para investidores caiu. Consequentemente, o resultado é a tendência do spread bancário brasileiro, que já é o segundo maior do mundo, se elevar ainda mais.

Portanto, não acreditamos que a estratégia do Banco Central de reduzir a Selic resultará em um impulso monetário eficaz.

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