Por que a recuperação da Bolsa brasileira foi interrompida?

A Bolsa brasileira iniciou recuperação após o pânico e a volatilidade no contexto da pandemia. Houve baixas históricas em março, com quedas de quase 50% em alguns momentos. No entanto, após sofrer pequena recuperação ao final de março e no início de abril, o Ibovespa vem “andando de lado”, mantendo-se em torno do mesmo patamar médio. Assim, apresentou baixa valorização e não eliminou as perdas resultantes do surto de coronavírus e do fechamento das cidades.

Vários fatores podem ser listados para entender este comportamento:

1) A incapacidade da política monetária em atingir famílias e pequenas e médias empresas. Por isso, o fato de muitas dessas empresas não terem condições para passar bem por essa crise não deve ser revertido, tendo em vista que elas ou foram obrigadas a parar suas atividades, ou viram o consumo cair drasticamente, ocasionando problemas de caixa e demissão de funcionários;

2) A limitada política fiscal da União, além da ausência de políticas fiscais por parte dos estados e municípios, o que deve gerar aumento do desequilíbrio fiscal após a recessão. Também há, nesse aspecto, o problema da manutenção integral dos salários dos servidores públicos. Enquanto isso, o setor privado sofre com os efeitos da pandemia e paga essa conta;

3) O enfraquecimento político do governo após a saída de Sérgio Moro. Apenas no dia em que o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública pediu demissão, a bolsa caiu quase 10%, mostrando alta volatilidade. Para além disso, há ainda constantes disputas entre o presidente da República com os presidentes da Câmara e do Senado, provocando instabilidade e aumento de risco político.

Como reverter essa situação e promover a recuperação da bolsa ?

O problema maior do enfraquecimento político do governo é o abandono da agenda de reformas. Isso porque, sem as reformas e sem a melhora do ambiente de negócios, deve haver a continuação do crescimento pífio e da desigualdade, além da recuperação da bolsa ser prejudicada.

Portanto, a retomada da agenda de reformas, com uma melhora no diálogo entre o Executivo e o Legislativo, é o caminho para a bolsa parar de andar de lado.

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