Por que o equilíbrio fiscal é fundamental para os investimentos?

Equilíbrio fiscal para melhorar os investimentos

Responsabilidade fiscal e equilíbrio fiscal são requisitos fundamentais para um ambiente fértil para investimentos. Isso porque o ambiente macroeconômico, que integra fatores como crescimento econômico, a taxa de juros e a direção da política fiscal e econômica formam um tripé fundamental construção de portfólios de investimento.

No caso de um investidor que busca uma carteira com foco no médio ou longo prazo, por exemplo, estar atento a esses fatores é essencial para haver uma estratégia bem sucedida em buscar maior rentabilidade.

A depender disso, as carteiras de investidores serão mais ou menos posicionadas em ações e demais formas de renda variável.

Os fundamentos econômicos do mercado antes da pandemia

O ano de 2019 iniciou com um conjunto de fundamentos econômicos e expectativas se consolidando. Isso indicava um novo ciclo de expansão da Bolsa de Valores.

Afinal, Executivo e Legislativo dialogavam pela continuidade da agenda de reformas iniciada em 2016. A taxa Selic caminhava para a tendência de redução ao longo do ano, algo que se concretizou. Portanto, a expectativa era de aumento do nível de atividade econômica, redução do desemprego e elevação do nível de confiança do empresário e do consumidor.

Desse modo, o país conseguiu alinhar as ideias de corte de gastos do governo, controle da dívida pública, taxa de juros baixa e expectativa de crescimento. Ou seja, um ambiente ainda mais favorável para montar um portfólio baseado na renda variável no médio e longo prazo.

Crescimento econômico e Investimentos

Atualmente, o mundo vive um momento conturbado, dadas as crises do coronavírus e do petróleo. Em termos de crescimento econômico, todos os países serão prejudicados, e no Brasil não é diferente.

Contudo, no decorrer do ano de 2019, alguns fatores já demonstravam possível baixo crescimento do país até o fim do ano.

Problemas de diálogo entre os três poderes e, principalmente entre Executivo e Legislativo, atrasaram a agenda de reforma. Além disso pioraram as expectativas em relação ao crescimento e controle de gastos.

A economia brasileira cresceu 1,1% em 2019, com uma redução de R$ 95 bilhões do déficit primário da União ao fim do ano. Vale destacar, ainda, que este resultado foi obtido com grande participação de receitas extraordinárias. 

Apesar de ser fundamental e de refletir a confiança das empresas e consumidores, o crescimento econômico não é o único fator que norteia os investimentos e o portfólio do investidor.

Taxa de Juros e Investimentos

A taxa básica de juros brasileira, Selic, se encontra em mínima histórica de 3% ao ano. O último corte foi realizado no início de maio pelo Comitê de Política Monetária (Copom), em 0,75 p.p.

Esse corte reflete a tendência de redução de juros iniciada no ano passado: somam-se sete cortes consecutivos desde 2019.

Nesse contexto, o desempenho da renda fixa, norteado pela Selic, fazem o investidor perderem dinheiro após descontadas a inflação e tributação dos rendimentos. Assim, eles não são mais tão rentáveis como há quatro anos, por exemplo, quando a Selic estava no patamar de 14,25% ao ano.

Com a taxa atual, os financiamentos e a tomada de crédito para as empresas ficam mais acessíveis. Assim, facilita-se a atividade econômica, o que tende a gerar mais emprego e renda.

Assim, a derrocada de investimentos antes considerados atrativos por muitos investidores, como ativos pós-fixados ao CDI, facilitam a migração para a renda variável.

Política Fiscal é essencial para os investimentos

Como dito, o equilíbrio fiscal é uma das principais peças no tabuleiro da perspectiva de investimentos. Afinal, quando um país perde o controle sobre as contas públicas, há três saídas.

A primeira é o aumento de impostos. Mas além de prejudicar a atividade econômica, o aumento tende a ser inviável. Atualmente o país possui uma das maiores cargas tributárias do mundo, e a segunda maior da América Latina: em 2019 ela ultrapassou 35% do PIB.

A segunda opção é realizar um ajuste fiscal, alternativa em que o país corta gastos supérfluos e excessivos para tentar equilibrar receitas e despesas. 

Já a terceira é a criação de dívida por meio da emissão de títulos do governo. O problema é que quando a dívida cresce descontroladamente, principalmente em países emergentes, a credibilidade cai.

A consequência de um país abandonar o equilíbrio fiscal é um efeito dominó. O aumento do risco de moratória no país leva a uma perda de confiança da moeda local por parte dos agentes econômicos. O resultado é a saída de investidores externos, o que por sua vez faz a oferta de moeda ficar mais escassa, provocando o aumento do câmbio. Como boa parte dos produtos consumidos no país são importados, há maior pressão sobre a inflação, levando a um aumento da Selic.

Dívida Pública no Brasil

O endividamento tem subido no Brasil desde o início de 2014, quando estava próximo de 50% do PIB. Esse valor chegou a 75,1% (R$ 5 trilhões) em fevereiro de 2018, no caso da Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG). Já em relação a Dívida Líquida do Setor Público (DLSP), somam 52% do PIB (R$ 3,4 trilhões).

Em comparação, outros países emergentes registram valores de endividamento mais próximos a 50% do PIB. Mas em virtude dos efeitos da pandemia, a dívida brasileira aumentará ainda mais. Isso ocorre devido às quedas na atividade econômica e na arrecadação do governo. Outro fator é o aumento das despesas para tentar mitigar os efeitos da crise sanitária.

O Tesouro Nacional estima um déficit de R$ 400 bilhões para este ano e, para 2021 o déficit esperado é de quase R$  150 bilhões. Assim, segundo projeções divulgadas pela Instituição Fiscal Independente (IFI), a DBGG encerrará 2020 em 84,9% do PIB. Mas a situação pode ser ainda pior: O Secretário do Tesouro Mansueto Almeida estima um rombo de até R$ 700 bilhões.

Qual é a ligação dos investimentos com o equilíbrio fiscal e a dívida pública?

Caso o Brasil perca o controle sobre o crescimento da dívida pública, a tendência é que os juros baixos se revertam. Essa seria uma tentativa da autoridade monetária do país de controlar o crescimento da inflação.

Assim, o ambiente de negócios fica prejudicado pois o acesso a financiamentos e crédito encarece, ocupando maior espaço no orçamento das empresas. Isso poderia causar redução de suas atividades e perdas de emprego e renda. Também seria uma consequência possível a menor atratividade das ações dessas firmas, fazendo o investidor perder rentabilidade.

Por outro lado, o aumento dos juros como ferramenta para controlar a inflação criaria uma tendência de retorno aos ativos pós-fixados. Isso não ocorre nos países mais desenvolvidos, onde essa renda fixa pós-fixada é utilizada apenas como reserva de emergência.

Além disso, o descontrole fiscal pode prejudicar os investimentos em renda fixa pré-fixada. As taxas de rentabilidade antes vistas como interessantes diante de juros e inflação controlada, podem ser completamente corroídas com o aumento e o descontrole da inflação a curto e médio prazo.

O desequilíbrio fiscal pode afetar indiretamente também, pois influencia outros requisitos importantes para um bom ambiente de investimentos, como juros baixos e crescimento econômico.

Assim, sem uma boa administração das contas públicas, que vise reduzir a trajetória de crescimento da dívida, não há bons incentivos e rentabilidades atrativas nos investimentos em geral.

Quanto ao pilar do crescimento apresentado, apesar da queda no PIB, para os próximos anos a expectativa é de retomada de um crescimento moderado.

É por isso que investidores são tão preocupados com o desenvolvimento de uma agenda de reformas. A preocupação é, não apenas com um melhor desenvolvimento do ambiente de negócios para as empresas atuarem, mas também com a responsabilidade e o equilíbrio fiscais.

Esse conjunto de fatores proporciona maior confiança do consumidor e dos empresários, resultando em um cenário de maior crescimento das empresas e do país. Portanto, sem o devido equilíbrio fiscal, os investimentos necessários para essas empresas seriam afastados.

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