Brasil: um país que não define prioridades

Prioridades no Brasil

Nos últimos dias assistimos a uma discussão no Congresso e no governo federal que surpreende: a possibilidade de estados quebrados darem aumento ao funcionalismo público. Há dúvidas se o presidente irá vetar ou sancionar dispositivo que congela salários de servidores no projeto de socorro a estados e municípios. Enquanto isso, Bolsonaro assinou medida provisória que dá reajuste para policiais e bombeiros do Distrito Federal. Onde estão as prioridades no Brasil?

Para mais, estados estão pedindo ajuda ao governo federal para fazer frente aos gastos correntes e para combater os efeitos do coronavírus. Entretanto, apenas no exemplo dos reajustes de policiais e bombeiros do DF acima, o impacto previsto é de R$ 505 milhões por ano no orçamento.

Cortar gastos é essencial

Antes de tudo, se os estados estão com dificuldades financeiras, deveriam estar cortando gastos, como fez o setor privado. E mesmo com esses cortes mais de 8 milhões de brasileiros perderam entre 25% e 70% da renda no programa de preservação de empregos formais e mais de 2,8 milhões de pessoas já entraram com pedido de seguro desemprego desde o início do ano.

Além disso, levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às micro e pequenas empresas (Sebrae) apontou, ainda no início de abril, que ao menos 600 mil micro e pequenas empresas já fecharam as portas e 9 milhões de funcionários foram demitidos. Outro dado é que 30% das empresas tiveram que pedir empréstimos para sobreviver. No entanto, 59,2% delas tiveram seus pedidos negados.

Vale lembrar que antes da pandemia o país já possuía dificuldades fiscais. Ao fim de 2019, apenas 7 dos 27 estados brasileiros não estavam no limite de alerta da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Tendo em mente, ainda, que o estado é grande e ineficiente, é reforçada a necessidade desses cortes.

Mas enquanto isso, mesmo com a ausência de verbas, 8 estados concederam aumentos salariais para seus servidores e outros 4 estados planejam conceder. No Mato Grosso, por exemplo, cargos comissionados e presidentes de autarquias tiveram gratificações aumentadas em até 90%. Já no Distrito Federal, policiais civis, militares e bombeiros receberão reajustes entre 8% e 25%.

Continuidade das reformas: a principal das prioridades no Brasil

Em um país como o Brasil, com excesso de burocracia, regulação e empresas estatais, o tempo do Congresso e dos governos deveria ser gasto discutindo e avançando as reformas de que tanto carecemos.

Para que o Brasil efetivamente cresça, a pauta não pode ser interrompida. Segundo o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica (IPEA), o Brasil tem potencial para crescer 4% nos próximos anos caso implemente reformas fundamentais da economia.

Enquanto o país segue fechado, agravando a cada dia a profunda recessão, o governo usa recursos, financiado pelos impostos pagos pelo cidadão, para defender salários dos já bem pagos funcionários públicos. Tem-se um duplo desperdício de recursos.

É fato: o Brasil não define suas prioridades.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *