Crescimento econômico: por que o Brasil parece errar mais uma vez

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Durante o governo Lula, quando a responsabilidade fiscal já havia sido abandonada, a crise de 2008 foi o sinal verde para a festa de gastos públicos. Naquele momento, junto à justificativa de incentivar o crescimento econômico, o governo federal criou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

A sigla deveria, na verdade, significar: Programa do Adiamento do Crescimento. Afinal, as similaridades entre o programa de Dilma Rousseff e o II PND, implementado durante o governo Geisel, eram grandes. Não à toa, trouxe as mesmas consequências negativas vistas na década de 1970.

Nova década perdida

O crescimento econômico brasileiro nas últimas quatro décadas foi bastante inferior ao de outras nações emergentes, em especial na última. Segundo levantamento do pesquisador da Universidade de São Paulo Roberto Macedo, entre 2010 e 2019, o Brasil cresceu em média 1,39% por ano, a pior taxa dos últimos 120 anos. Enquanto isso, a média dos países em desenvolvimento foi mais do que o triplo: 5,11%.

A responsabilidade é das políticas implementadas durante o governo Dilma Rousseff. o desempenho econômico de seu mandato ficou no 28° lugar dentre os 30 presidentes brasileiros pelo Estudo Renda e Produtividade nas Duas Últimas Décadas.

Além disso, o desemprego no início do seu mandato era de 5,3% e aumentou para 8,2% ao término deste. A inflação em 2015, o último ano em que ela governou ficou em 10,67%. Já em relação ao PIB, a retração no mesmo ano foi de -3,85% e em 2016 recuou mais 3,9%.

Em 2014, o déficit primário ficou em R$ 32,53 bilhões. A partir de então, a situação deficitária vem se repetindo, mesmo em face do crescimento em escala mundial. Isto é, o boom econômico sentido no cenário externo não valeu para o Brasil em virtude de decisões erradas internamente.

Prevaleceu, portanto, um desastre fiscal, caracterizado pelo descontrole do déficit e da dívida pública, o que levou o país a uma década de estagnação.

Próxima década perdida à vista

Outro dado que vale analisar é o da dívida interna. Em 2006 ela representou R$ 1,24 trilhão, mas no início de 2016 esse valor estava em R$ 2,89 trilhões. Nesse sentido, a dívida bruta do governo geral ao final de 2014 já representava 63,4% do PIB. Esse valor evoluiu e em 2020 já ocupa 79,8% do PIB. Isso ocorreu com o abandono da política de superávits fiscais.

Após a saída da presidente Dilma foram aprovadas reformas no governo Temer, cujos objetivos eram possibilitar ao país estabelecer um desenvolvimento econômico sustentável. Isto é, com uma trajetória equilibrada entre déficit e dívida, bem como um melhor ambiente de negócios.

Apesar disso, o país atualmente ainda ocupa a 124° posição no relatório da Doing Bussiness. Nesse sentido, em 2019 o Goldman Sachs alertou se o Brasil não conseguir encontrar soluções fiscais e implementar reformas estruturais, a década de 2020 também poderá ser mais uma perdida.

Porém, aparentemente, o país não aprendeu a lição. E a profundidade da recessão devido à pandemia comprova essa teoria.

Impasses para o crescimento econômico hoje

Para impulsionar o crescimento econômico, mais uma vez surgem agentes defendendo uma nova rodada de investimento público a fim de fomentar o crescimento econômico. Tudo apesar do fracasso anterior.

As regras fiscais estão sendo dribladas e já são projetados efeitos negativos nas contas públicas a longo prazo. O que demonstra isso é o fato de o déficit primário já ser estimado pelo mercado em R$ 708 bilhões para 2020 e em R$ 200 bilhões para 2021.

Também o Ministério da Economia estimou rombo de R$ 149,6 bilhões no próximo ano, maior que o dobro do que era previsto. Ainda foi estipulado que as contas devem continuar negativas pela próxima década. Assim, um cenário de crescimento econômico no país torna-se implausível.

Por fim, uma vez que o plantio do PAC de Lula e Dilma teve como fruto o petrolão, o que os brasileiros vão colher no futuro, diante do que está sendo feito hoje?

Não há atalhos para o crescimento. Por isso, é preciso fazer reformas essenciais, que melhorem a trajetória da dívida, o ambiente de negócios do Brasil e que efetivamente criem um círculo virtuoso de desenvolvimento econômico.

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