PicPay X WhatsApp: a disputa no mercado de pagamentos online

PicPay e WhatsApp

“Hoje, nós lançaremos o sistema de pagamentos para pessoas que usam o WhatsApp no ​​Brasil”, anunciou Mark Zuckenberg em suas redes sociais, na última segunda-feira (15). Devido ao elevado número de usuários no país, cerca de 130 milhões, o Brasil foi escolhido para estrear o roll-out do sistema do WhatsApp, semelhante ao do PicPay. Outra novidade, é que, por meio deste, será possível também utilizar o método para pagar uma empresa.

Hoje, a maior empresa do mercado de pagamentos digitais na América Latina é a capixaba PicPay, disponível para dispositivos Android e iOS. Fundada há oito anos, a companhia bateu recentemente seu recorde de abertura de contas ao mês. Apenas em abril, foram criadas mais de três milhões, ante a média mensal de 500 mil antes da quarentena. Atualmente há 20 milhões de usuários na plataforma.

O Picpay conquistou espaço no mercado ao oferecer praticidade. Ele oferece um amplo espectro de recursos básicos, como recarga de celular, transferência de dinheiro, pagamento de contas e compras presencialmente. E é neste segmento do PicPay que o WhatsApp está de olho.

Como o WhatsApp ganha dinheiro?

Criado em 2009 por Jan Koum e Brian Acton, em fevereiro de 2014 o Facebook comprou o WhatsApp por US$ 19 bilhões. Isso em um período que a compra bilionária de startups não era tão comum.

Desde então se tornou um mistério como o negócio seria rentabilizado. Inicialmente porque o aplicativo foi lançado gratuitamente por um ano, e após o período custaria US$ 0,99, mas a taxa foi adotada em poucos países. A política foi encerrada em 2016, e desde então o aplicativo não gerou mais qualquer receita.

Divergências internas da estratégia comercial, além de vazamento de dados por problemas na política de privacidade da empresa resultaram na saída de Koum e Acton das operações, além de críticas públicas deste ao Facebook.

O The Wall Street Journal apontou, em janeiro de 2020, que o Facebook recuou da possibilidade de implementar anúncios no aplicativo. Assim, houve especulações de como seria o futuro monetizado da empresa. Entre elas, a venda de espaços no “Status” (espécie de stories do Instagram, mas no WhatsApp). Além disso, o uso da Libra (a criptomoeda em fase de planejamento do Facebook) é uma opção estudada. 

Com o anúncio desta semana, a empresa deixa clara uma das estratégias para enfim o negócio começar a ganhar receitas. Antes de anunciada no Brasil, vale lembrar que o aplicativo testou a possibilidade de transferência de dinheiro entre usuários na Índia.

O cenário do mercado dos meios de pagamentos digitais, como o PicPay e o novo serviço do WhatsApp

Por meio de sistemas e aplicativos de diferentes companhias, as pessoas têm acesso a ferramentas que permitem a realização de transações financeiras entre empresas e clientes no ambiente digital. Essa é a essência do mercado de pagamentos digitais: oferecer um intermédio entre consumidores, bancos e negócios, durante o processo de compra.

Desde o início da Revolução Digital, novas formas de empreender surgiram. Essas foram disseminadas à medida que a internet se tornou também um recurso mais acessível.

Além disso, mesmo lojas que não dispõem de e-commerce, utilizam sites e perfis nas redes sociais para estabelecer uma presença digital. Afinal, a maioria das pessoas procuram diferentes opções de serviços e produtos, bem como indicações na internet antes de efetuar uma compra.

Nesse sentido, a agilidade tornou-se pedra angular desse novo mercado, o que abriu espaço à criação de sistemas para gerenciar processos como emissão de notas fiscais e pagamentos. Uma vez automatizados, as empresas dispõem de uma gestão mais rápida, eficiente e sempre à disposição dos clientes.

Ou seja, é um mercado em nítida expansão, cujo leque de possibilidades no futuro não pode ser mensurado.

De acordo com o estudo Webshoppers de 2018, 36% da população brasileira é adepta às compras online. Ou seja: mais da metade dos brasileiros ainda está de fora deste mercado. Nesse sentido, a pandemia tem sido vista como uma aceleradora desta tendência de popularização de tecnologias mais simples. Como exemplo, apenas nos primeiros dias de março, 71% dos brasileiros que faziam compras online, as aumentaram, segundo a NZN. Além disso, 15% dos brasileiros começaram a fazer compras de supermercado de forma online, de acordo com levantamento da Associação Paulista de Supermercados (Apas).

Pioneirismo do PicPay no Brasil 

Com 1400 colaboradores e considerada uma das 200 maiores e melhores empresas do Espírito Santo de acordo com levantamento do IEL, o PicPay se destacou como a 9º empresa que teve maior crescimento de receita líquida (com 285,13% no ano) e foi a 2º em crescimento de receita bruta (270,66%). A empresa projeta processar um volume na ordem de R$ 30 bilhões em sua plataforma em 2020.

Porém, a sua história como pioneira no mercado digital é exemplo de sucesso empresarial há anos.

A carteira de um usuário da fintech rende 100% do CDI — algo que, historicamente, foi uma meta perseguida por investidores no Brasil por ter sido um país com altas taxas de juros. Além disso, o aplicativo também possui uma loja interna, que vende vale-presentes de diversas empresas parceiras, como a Uber, do Steam, Spotify, dentre outros parceiros.

A crise de 2020 representou uma oportunidade para a empresa aproximar-se mais dos serviços essenciais. Recentemente, por exemplo, o PicPay estabeleceu convênio com a Apas para que o aplicativo integre como meio de pagamento nas compras de supermercados paulistas.

O que colaboradores da PicPay acham da entrada do Whatsapp no mercado

Diante da entrada da gigante do Vale do Silício neste mercado, os desafios para manter os atuais índices de crescimento da empresa foram ampliados.

Apesar disso, a Apex Partners apurou que a iniciativa do WhatsApp foi bem recebida na Picpay, por ser vista como algo natural e positivo no setor. Isso porque, na prática, a entrada do WhatsApp no mercado ajuda na consolidação de uma tendência. Isto é, que mais pessoas enxerguem o celular como uma carteira digital. E essa realidade, sim, pode contribuir para mais usuários no mercado e uma maior adesão ao próprio PicPay.

Além disso, o WhatsApp terá, ao menos neste início, algumas limitações: o serviço apenas poderá ser utilizado por quem tem conta no Banco do Brasil, no Sicredi ou na Nubank, além de cartões das bandeiras Visa e Mastercard. Outro desafio será a empresa trabalhar sua imagem diante dos escândalos de vazamento de dados do Facebook.

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