Retomada econômica no mercado? Entenda a tendência

Retomada econômica

Nas últimas duas semanas os mercados financeiros mundiais interromperam a valorização e viram crescer a volatilidade. A razão é o recrudescimento de novos casos de covid-19 nas duas maiores economias do mundo, China e USA, que comprometem a expectativa de retomada econômica. Isso ocorre à medida que estes retomam a produção, com a reabertura das empresas.

Dados da economia americana guiam as expectativas de retomada econômica

O mercado de ações americano passou por alta volatilidade nos últimos meses, devido às instabilidades decorrentes do coronavírus. Ao fim de maio, o Índice Dow Jones voltou a bater os 25 mil pontos e o Índice Bovespa quase retornou à casa dos 90 mil pontos.

Na primeira semana de junho, os dados do mercado americano surpreenderam positivamente. Foram criados 3,094 milhões de empregos no setor privado e 2,509 milhões em toda a economia em maio, visto que o governo cortou 585 mil vagas. Nesse período, a mediana das previsões apontava que esperava-se a destruição de 8 milhões de empregos.

Nesse sentido, os dados foram interpretados pelo mercado como um dos indícios de que a retomada econômica poderia ser mais rápida. E isso ocorre na contramão do que é previsto majoritariamente, trazendo euforia para o mercado de ações. 

Assim, com poucas semanas de reabertura das empresas em alguns estados, estes dados indicaram recuperação forte. Como consequência, o mercado acionário americano acelerou a valorização.

Apenas na primeira semana de junho a alta do Ibovespa chegou a quase 10%. Já o Dow Jones subiu cerca de 8% e o S&P 500 em torno de 6% no mesmo período.

Trégua na euforia pela retomada econômica dos mercados

No entanto, uma semana depois, houve recrudescimento dos dados de novos casos em vários estados americanos pioneiros no processo de flexibilizar medidas restritivas. Isso aumentou a incerteza quanto à manutenção da reabertura e da recuperação econômica, visto que muitos países que viram os casos de coronavírus aumentarem voltaram a recrudescer as medidas de isolamento.

No dia 10 de junho já havia registros de aumento do número de casos em 19 estados americanos que passavam por processos de reaberturas. No Arizona, o número de hospitalizações subiu 49% em menos de duas semanas. Enquanto isso, no Arkansas as hospitalizações subiram 88% do dia 25 de maio até o dia 10 de junho.

Agora, em meados de junho, ainda há temores em relação ao retorno às restrições por uma possível segunda onda de coronavírus. Mas novas notícias trazem ânimo, como por exemplo os dados de vendas do varejo americano, que indicaram forte recuperação das vendas.

Dados divulgados por volta do dia 16 de junho mostraram que, após cair 14,7% em abril, as vendas do varejo dos EUA tiveram alta de 17,7% em maio. Assim, surgem, novamente, expectativas de uma recuperação mais forte da economia, o que pode levar o mercado de ações a retomar a valorização.

Considerações finais

Apesar de declarações do presidente do Fed e do Secretário de Tesouro americano de que estão dispostos a agir com medidas de injeção de liquidez sinalizarem que o governo americano e seu banco central tentarão mitigar os possíveis efeitos de um novo fechamento, não há como impedir os efeitos da mudança de expectativa do mercado sobre o acirramento da recessão e de seus impactos no valor de mercado dos ativos. 

O ponto a destacar é: essa incerteza e a consequente volatilidade dos mercados deverá estar presente nos próximos meses. Ao menos até que seja desenvolvida uma vacina ou um remédio eficientes no combate ao coronavírus. 

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