A lucratividade das empresas em meio à pandemia

Lucratividade das empresas

Com a recessão decorrente do coronavírus e do fechamento da economia no Brasil e no mundo, os principais bancos centrais reduziram fortemente os juros básicos e aumentaram o crédito. Mas quais são os resultados e impactos dessa atitude na lucratividade das empresas?

O resultado na lucratividade das empresas em economias desenvolvidas

Nas economias desenvolvidas havia espaço para políticas fiscais e monetárias, porque a margem para maiores gastos públicos nesses países é maior.

A incerteza e a recessão decorrentes do coronavírus aumentaram a demanda por proteção. Assim, investidores são atraídos por moedas fortes e títulos públicos de países com grau de investimento. Por isso, aqueles tidos como mais seguros, a exemplo dos EUA, gastos públicos maiores em períodos como esse não comprometem os investimentos, gerando fuga de investidores, como ocorre em emergentes.

No Brasil, por exemplo, o EMBI+, uma das formas de medir o risco-país com base nos títulos de dívida emitidos por países emergentes, apontou, na última avaliação, do dia 22 de junho, 375 pontos-base. Antes da crise do coronavírus, em fevereiro, esse dado chegou a ficar abaixo dos 200 pontos-base, e no auge da crise quase bateu os 500 pontos-base.

Este movimento provoca a valorização das moedas dos países desenvolvidos e a desvalorização cambial dos emergentes. Ao mesmo tempo, a recessão mundial levou à queda dos preços das commodities, a exemplo do petróleo, trazendo ainda mais prejuízos para os países emergentes.

Dessa forma, a combinação moedas em valorização e preços em queda reduz os custos das empresas e gera espaço para serem reduzidos os preços dos bens que produzem, sendo possível, inclusive, aumentar as margens de lucro mesmo diminuindo os preços.

O resultado na lucratividade das empresas brasileiras

O mesmo não acontece nos países emergentes, como o Brasil. Aqui, a moeda doméstica chegou a desvalorizar mais de 35%, superior à outros emergentes. Saindo do patamar dos R$ 4,00, o dólar quase chegou aos R$ 6,00.

O resultado é: aumento do preço dos bens comercializáveis em reais. Trata-se de uma limitação da atuação do Banco Central brasileiro, e que deve ser levada em consideração.

No momento em que tivemos mais uma redução da Selic para 2,25% ao ano, uma das justificativas usadas é a queda da inflação. A ideia é que a inflação em queda e a recessão abrem espaços para mais reduções de juros, visto que essas reduções seriam as responsáveis por estimular o crédito, entre outros fatores.

Aqui, entretanto, temos grandes diferenças em relação aos países desenvolvidos. Ao contrário do almejado, a redução da selic e o aumento de liquidez não levou à redução do custo do dinheiro e à expansão do crédito para as famílias e para as micro, pequenas e médias empresas.

A desvalorização da moeda prejudica as empresas

A redução dos juros tem como consequência a desvalorização do real, visto que com os juros mais baixos o prêmio para investir no país é menor. Assim, os custos das empresas são pressionados devido ao aumento dos preços em reais dos bens comercializáveis ou tradables.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 1,24% em março, enquanto em fevereiro o índice caiu 0,04%. Já o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) subiu 1,76% em março, com um resultado de -0,19% em fevereiro. Dessa forma, os preços para o produtor foram elevados.

Entretanto, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) está em queda brusca devido ao coronavírus. Ele saiu de 0,25% em fevereiro para 0,07% em março. Já em abril o quadro foi deflacionário, com -0,32%.

Neste cenário, portanto, as empresas não estão conseguindo repassar o aumento de custos para o consumidor final. E, com isso, suas margens de lucro são reduzidas.

Os beneficiários desta política de juros baixos, então, têm sido o mercado financeiro e as grandes empresas. Porém, o resto da economia não tem recebido benefícios, e sim está arcando com os custos. 

Em suma, além da queda na demanda estar reduzindo a lucratividade das empresas, a atuação do BC também agrava ainda mais esse problema, propiciado uma queda maior pelo efeito de suas medidas sobre a cotação do dólar.

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