Economia do Espírito Santo tem queda menor do que o resto do Brasil

Economia do Espírito Santo

Com a pandemia do coronavírus, a principal intervenção não-farmacológica foi o distanciamento social. Este objetiva diminuir o número de infectados em um dado período de tempo, para não sobrecarregar o sistema de saúde. Há, portanto, benefícios da medida, mas também custos impostos a ela. Além disso, há o fator de aversão ao risco de indivíduos que, com medo da doença, naturalmente preferem ficar em casa. O resultado é a retração da atividade na economia, prejudicando tanto o Espírito Santo como o Brasil em geral. Assim, há perda de salários e produção, bem como da receita dos governos.

O Panorama Econômico, apresentado pelo Instituto Jones dos Santos Neves, aponta quanto os efeitos da pandemia foram sentidos na economia do Espírito Santo no primeiro trimestre. Porém, o estado apresentou desempenho melhor do que a média brasileira: enquanto o nível de atividade econômica caiu 1,5% em relação ao trimestre anterior, a economia do Espírito Santo registrou 1,2% de queda.

No Espírito Santo, houve queda da demanda por produtos e serviços não essenciais, assim como por combustíveis, devido à menor circulação de pessoas. Além disso, o período foi marcado por oscilações nos preços das principais commodities do estado, como petróleo, minério de ferro, celulose e café. Nesse sentido, entre março e maio 5.993 capixabas perderam a carteira assinada, segundo o Caged.

Entre as medidas para mitigar efeitos da crise sanitária, foram oferecidas linhas de crédito facilitado às empresas. Porém, apenas 41% das que tentaram obtiveram acesso no estado. O dado é da pesquisa de opinião realizada pela Findes junto ao Ideies. Ela aponta, ainda, otimismo por parte das empresas capixabas: 83% delas estimam retomar suas atividades no nível pré-pandemia em até seis meses. Entrementes, é preciso analisar cada setor à parte, para obter uma visão mais ampla do impacto até aqui.

Agricultura: um dos pilares da economia do Espírito Santo

No primeiro trimestre de 2020, as exportações do agronegócio capixaba representam um quinto entre tudo que é exportado. Estas registraram queda de 4,4% em relação ao final de 2019, ao contrário do restante do país, em que, no geral, o setor foi o único que apresentou crescimento: 0,6%.

O café, que é produzido em todos os municípios capixabas, com a exceção da capital, corresponde a quase metade de toda a produção do estado. Nesse sentido, foi o produto que puxou a média do estado para baixo. O café conilon, principal produto da agricultura do ES, fechou 2019 com um aumento de 8,1% de produção em relação ao ano anterior. Porém, a expectativa para 2020 é de uma retração de 6,4% no volume.

Assim, o resultado positivo brasileiro foi impulsionado pela soja, que, inclusive, apresenta perspectivas de recorde para esse ano. Este cenário deve-se ao fato de que, para manter a população abastecida, a agropecuária praticamente não parou.

Indústria: setor em que a economia do Espírito Santo se saiu pior do que a brasileira

Desde a suspensão das atividades da Samarco, em 2015, a indústria capixaba vem apresentando desempenho aquém da produção industrial nacional. Houve queda nos últimos nove trimestres.  

No primeiro trimestre de 2020, a queda comparada ao mesmo período de 2019 foi de 17,2%, ante 1% em termos nacionais. Os principais fatores foram os resultados da indústria extrativa (-25,5%) e da fabricação de celulose e produtos de papel (-32,2%). No cenário geral brasileiro, as quedas foram de 5,8% e 2,2%, respectivamente

Além da pandemia, há ao menos três outros fatores que implicam neste setor, tanto no estado quanto no Brasil em geral. Um deles é o acidente da barragem de Brumadinho, que provocou redução das atividades extrativistas. Outros são a parada programada das usinas de pelotização 3 e 7 para manutenção e a diminuição da produção do setor de petróleo e gás natural.

Entretanto, o setor de fabricação de produtos alimentícios no estado registrou crescimento de 5,7%, enquanto no restante do país foi de 1,3%.

Comércio e Serviços

Ao contrário do panorama brasileiro, que apresentou recuo de 1%, o primeiro trimestre de 2020 foi positivo para o comércio varejista capixaba, com expansão de 4,8% do volume de vendas no acumulado em quatro trimestres.

Enquanto isso, o setor de serviços seguiu o caminho oposto, apresentando forte retração em ambos os cenários. O segmento, que engloba serviços de alojamento e alimentação, foi o mais afetado pelas medidas de isolamento social. Porém, enquanto o estado apresentou queda de 10,7% em relação ao 1º trimestre de 2019, o país registrou -1,6%.

Comércio exterior

Em relação ao comércio exterior do Espírito Santo, a economia no primeiro trimestre de 2020 teve queda, registrando perda de 19,31% em relação ao final do ano passado, causada principalmente pela redução das importações.

Contudo, a despeito dos resultados negativos dos demais países que integram o G20, o Brasil foi o único país a vender mais neste período, de acordo com a OCDE. Na prática, o país teve melhor desempenho tanto em exportações quanto em importações. 

Mercado de trabalho

Estimada em 11,1%, a taxa de desemprego no Espírito Santo manteve-se estável em comparação ao 1º trimestre de 2019. Por outro lado, o país registrou queda de 0,5% na comparação entre os dois períodos, com índice mais elevado do que o estado: 12,2%. 

Apesar das dificuldades, as empresas capixabas estão relutantes em demitir. Segundo a pesquisa, até o momento 49% das companhias não adotaram a redução de quadro de funcionários e 60% recusaram a suspensão de contratos permitida por meio da MP 936.

Como exposto no gráfico abaixo, o número de requerentes de seguro-desemprego no Espírito Santo aumentou quase 3% em relação ao mesmo período de 2019.


PIB: como vai a economia do Espírito Santo no primeiro trimestre

As oscilações dos preços das principais commodities e do dólar e a guerra comercial entre Estados Unidos e China provocaram um quadro macroeconômico instável no Brasil. Apesar de a economia capixaba ter estrita relação com ambos os países, as exportações, inclusive, aumentaram ao longo de 2019.

No entanto, este setor não foi capaz de impedir a queda do PIB do estado, cujo índice registrado foi de -1,7% em relação ao 1º trimestre de 2019: cerca de R$ 29 bilhões a menos. O resultado ficou abaixo do nacional, de -0,3%. Além disso, a tendência para o segundo trimestre, quando o impacto da Covid-19 será maior, é piorar.

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