Bolsa brasileira nos 100 mil pontos: o que esperar agora?

Bolsa a 100 mil pontos

Os 100 mil pontos nada mais são do que uma marca psicológica para a bolsa. O nível de pontos do Índice Bovespa (Ibovespa) é a média das empresas mais negociadas na bolsa de São Paulo (Bovespa). São 72 empresas que compõem o índice atualmente, podendo variar.

O valor do índice corresponde ao valor de capitalização dessas empresas no mercado. Assim, cada R$ 1,00 corresponde à 1 ponto. Com a bolsa em 100 mil pontos, já são vistos mais de três meses de alta. É um contexto nunca visto antes, de uma recuperação da economia se mostrando mais forte do que o estimado pelo mercado, apesar da pandemia.

O que os 100 mil pontos significam em termos de fundamentos? O preço das ações nesse patamar se justifica ao analisar a racionalidade e os dados por trás dele? Essas perguntas são essenciais ao analisar o mercado e em que patamar a bolsa deve chegar quando acima dos 100 mil pontos. Vamos, então, ver se esse nível de preços está barato ou caro.

Fundamentos

Preço/Lucro

Esse indicador é obtido por meio da divisão do valor de mercado da companhia, ou seja, de seu preço, pelo seu lucro líquido no último ano. Dessa forma, é possível saber em quantos anos o valor investido retornará sob a forma de lucro. E, assim, determinar se a ação em questão está cara ou barata.

É importante, por isso, analisar o preço sobre o lucro (P/L) que as empresas projetam para os próximos 12 meses. O P/L da bolsa está em uma média histórica de 12 vezes. E já vemos essa média sendo negociada a 18 vezes.

Fica claro, portanto, que, em relação ao lucro projetado para os próximos 12 meses, não há tanto espaço para valorização, porém, ainda existem empresas sendo negociadas em valores menores do que suas médias. Dessa forma a seleção de companhias dentro de cada segmento passa a ser ainda mais importante.

Por outro lado se começarmos a ver indicadores de atividades se apresentando melhor que o esperado, as revisões de lucros podem ocorrer para lado mais positivo.

Abaixo, apontamos algumas das razões que podem fazer a bolsa a continuar avançando mesmo com indicadores P/L mais altos.

Taxas de juros

Ainda vemos as taxas de juros de longo prazo, que impactam o valor das empresas, podendo ser negociadas em patamares ainda mais baixos.

A NTB-B (Título do Governo IPCA+) estava em 3% anteriormente, e agora está em 4% de juros real. Já os DIs de longo prazo ficavam em 6% e agora negociam próximos a 7%.

O que impacta nas taxas de juros de longo prazo é a visão das atitudes do governo no campo fiscal. O cenário pós-pandemia não mudou o renovado compromisso da agenda do ministério da economia de Paulo Guedes. Além disso, foi observada, no último mês, uma aproximação maior entre governo e Congresso, com avanço na articulação.

Já foram vistos resultados disso na casa, como o Marco do Saneamento. Também a postergação das eleições municipais foi um indicativo, sendo vista como oportunidade para a aprovação de reformas, como a tributária, uma vez que abre espaço para voltarmos a pautar essa e outras importantes no campo microeconômico.

Esses fatores corroboram para uma taxa de juros de longo prazo voltando aos patamares anteriores, o que deveria fazer-nos retornar à marca histórica, próxima dos 115 mil pontos.

Número de investidores na bolsa cresce

O número de Cadastros de Pessoa Física (CPFs) na bolsa vem subindo sobremaneira nos últimos anos. Com a pandemia, esse fluxo de entrada ficou ainda maior e este forte efeito tende a continuar nos próximos 12 meses ajudando na força compradora do mercado.

Em dezembro de 2019, haviam 1.681.033 pessoas físicas investindo na bolsa, enquanto em junho de 2020 esse número chegou em 2.648.975. Foi um aumento de 58% em 6 meses.

Um dos fatores, além da grande queda no preço dos ativos em março, foi a queda das taxas de juros. O Brasil, acostumado a ser o “país dos rentistas”, com taxas de juros de dois dígitos, chegou a um patamar em que os juros reais estão praticamente no campo negativo.

Isso porque a Selic, de 4,5% ao ano em dezembro de 2019, foi reduzida para 2,25% na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), de junho.

O que esperar do comportamento do mercado

Ainda, ao olhar o risco de uma segunda onda de Covid-19, o mercado já passa a encarar de forma neutra, devido às notícias de vacinas. Além disso, há sinalizações de governos no sentido de manter a economia aberta, não devendo possíveis novos fechamentos acontecerem em larga escala como na primeira vez.

Dessa maneira, os efeitos sobre as empresas não seriam tão negativos como foi visto anteriormente.

Por outro lado, há uma indecisão no mercado, estando já relativamente estável, no mesmo patamar há cerca de 20 dias. Essa maior consolidação se deve aos preços conhecerem vários riscos, como o da segunda onda e de novos fechamentos.

Entendido os riscos que os preços de mercado já experimentaram, uma das principais assimetrias em relação aos preços é relacionada ao equilíbrio fiscal e às reformas. Elas têm o potencial de influenciar na redução das taxas de juros de longo prazo do país e aumentarem ao valor justo das companhias listadas, sob a ótica da avaliação das empresas.

Por tudo isso, entendemos que este é um momento de maior estabilidade. Em eventuais quedas, o que deve permanecer é a volatilidade, mas não esperamos quedas muito fortes, como as vistas no auge da pandemia. Fazendo a balança entre preços, fundamentos e o comportamento do mercado, ainda entendemos que há espaço para o Ibovespa continuar subindo, próximo aos patamares de 120 mil pontos.

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