Entenda a queda do setor de serviços

Queda no setor de serviços

Os dados recém publicados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) levantam preocupação com a queda do setor de serviços no Brasil. Este é o maior setor econômico, respondendo por 75,8% do Produto Interno Bruto (PIB), também segundo o IBGE. Por isso mesmo, é o que gera o maior número de empregos.

Em maio, em termos anuais, o setor serviços teve queda de 19,5%. Já em relação a abril, quando a retração foi de 17,2%, houve queda de 0,9%. O que estes dados nos dizem é que o setor de serviços continua retraindo, a despeito de vários estados e cidades já terem iniciado a reabertura.

Além disso, segundo pesquisa do Ibre/FGV, enquanto a indústria já recuperou 85% da perda de março e abril e o comércio já recuperou 62%, o setor de serviços e construção recompôs apenas 59% das perdas.

As pequenas e médias empresas são as que mais sofrem com a queda do setor de serviços

Para entender melhor esta queda, devemos olhar uma outra recente publicação do IBGE, a Pesquisa Pulso Empresa: Impacto da Covid-19 nas Empresas. Nela vemos que a grande maioria das empresas fechadas até a primeira quinzena de junho é de pequenas e médias empresas no setor de serviços. 

De acordo com a pesquisa do IBGE, 17,8% das empresas com até 49 funcionários encerraram suas atividades definitivamente. Em contrapartida, entre as empresas com 50 a 499 funcionários esse dado foi de 2,1% e entre aquelas com mais de 500 funcionários não houve encerramentos definitivos, mas apenas temporários (2,1%). Ao todo, são 716.372 empresas que fecharam as portas de maneira definitiva.

Assim, a queda do setor de serviços no Brasil é fruto do grande número de pequenas e médias empresas que compõem este setor. Para mais, estas continuam a fechar permanentemente em junho mesmo com a reabertura das cidades, mantendo o setor de serviços em queda.

Este fechamento é fruto da falha das políticas fiscais e monetárias em ajudar as pequenas e médias empresas no período em que foram proibidas de produzir.

Os impactos das políticas fiscal e monetária

Os governos municipais e estaduais nada fizeram para ajudar as empresas que foram obrigadas a interromper suas atividades no que discerne às políticas fiscais. 

O governo federal também pouco fez para possibilitar renda para as empresas, ajudando-as a arcarem com seus custos fixos. Uma das únicas ações foi a Medida Provisória 936, que permitiu reduzir custos trabalhistas.

Isso ocorreu mesmo tendo em vista que 70,7% das empresas disseram ver uma redução sobre as vendas ou serviços comercializados, de acordo com a pesquisa em foco.

Além disso, a política monetária não surtiu tantos efeitos para as pequenas e médias empresas, embora o banco central tenha reduzido juros e tentando expandir a liquidez. Isso porque o sistema bancário concentrado não foi capaz de reduzir juros e expandir o crédito para as famílias, micro, pequenas e médias empresas.

Segundo a pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em parceria com a FGV, 51,4% das micro e pequenas empresas (MPEs) solicitaram empréstimos e não conseguiram. Além disso, quando se trata dos microempreendedores individuais (MEIs) o retorno negativo foi bem maior, com 68,5% de pedidos negados.

Em síntese, sem políticas fiscais e monetárias para auxiliar a arcar com custos fixos, as pequenas e médias empresas não tiveram fôlego para suportar o longo período em que foram obrigadas a interromper atividades. Com isso, estas continuam fechando permanentemente e gerando maior desemprego. Dessa maneira, é mais do que intuitivo que o setor de serviços esteja em contração.

Dado que os governos mandaram os funcionários públicos para casa, ainda, pagando salários integrais, fica claro que recursos haviam para ajudar as pequenas e médias empresas. Mas o caminho escolhido por estes foi continuar gastando a receita tributária imaginária de um mundo sem pandemia. Assim, continua-se nutrindo uma latente crise fiscal. Aparentemente, não foi desta vez que os 200 milhões de brasileiros se aliviaram de financiar os privilégios da máquina pública.

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