IPOs abrem caminho para o crescimento do mercado de ações brasileiro

IPOs

Mais empresas abrirão capital na B3 nos próximos 60 dias do que nos últimos três anos, consolidando um dos melhores momentos para o desenvolvimento do mercado de capitais da história brasileira. A Initial Public Offering (IPOs), ou Oferta Pública Inicial, é o processo por meio do qual determinada empresa oferta seus ativos no mercado de ações pela primeira vez. Graças a esse mecanismo, é possível que várias empresas sejam negociadas todos os dias no mercado secundário de ações. Neste, qualquer pessoa pode negociar sua participação acionária com outrem.

Esse instrumento de inserção de companhias na bolsa de valores é uma alternativa para captar recursos. Ele dá liquidez às companhias para financiar seu crescimento e viabilizar seus investimentos. Assim, é uma opção para não ter de recorrer a financiamentos bancários, novos aportes dos sócios atuais ou a emissão de títulos de dívida, como debêntures.

Nos últimos anos, em conjunto com o crescimento da bolsa e do mercado de capitais brasileiros, o número de IPOs no país vem crescendo. Assim, é realimentada a entrada de novos investidores e são ampliadas as alternativas de investimento disponíveis.

Como funciona uma Oferta Pública Inicial (IPO)

Antes de realizar um IPO, a empresa identifica a demanda dos investidores pela compra de uma parcela de seus negócios. Então, procura-se uma instituição financeira para coordenar a emissão de suas ações, que fará o processo de underwriting. Essa instituição será a responsável pela colocação no mercado da subscrição pública de ações. Nesse caso, em geral, as ações que não forem adquiridas pelo público ficam com a instituição bancária responsável pelo underwriting.

Assim, a CVM e a B3 autorizam a listagem das ações daquela empresa no mercado, garantindo que os requisitos foram atendidos. Então a ação é precificada e passa a ser negociada em bolsa.

Além disso, há espécies de IPO. Na oferta primária de ações, a empresa capta recursos e os atuais sócios são diluídos, ficando o valor captado a cargo da companhia. Na segunda hipótese, entretanto, algum sócio pode vender sua participação e embolsar o valor captado, chamada de oferta secundária de ações. Existe, ainda, um terceiro tipo de IPO, em que pode-se mesclar os tipos acima.

Desenvolvimento do mercado de capitais brasileiro: alta no número de IPOs

O mercado de capitais brasileiro possui alto potencial para se desenvolver, e o aumento do número de IPOs é um caminho para esse fim. Desde 2004 até o início de 2020, empresas captaram R$ 193,2 bilhões por meio de 174 ofertas públicas de ações.

Este gráfico mostra a evolução do número de ofertas públicas iniciais (IPOs) e ofertas subsequentes de ações (Follow-on). Esta última é aquela em que uma empresa que já possui capital aberto coloca novas ações em circulação.

Assim, pode-se observar que em 2019, por exemplo, houve cerca de 40 IPOs, enquanto nos dez anos anteriores a quantidade não passou disso.

Já em 2020, apesar da crise decorrente da Covid-19, já são mais de 40 as empresas que requisitaram junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abrir capital em setembro e outubro. Apenas as incorporadoras somam 18 destas, como HBR Realty e Urba Desenvolvimento Urbano, do Grupo MRV.

Em números mais atualizados, neste ano, os IPOs já movimentaram R$ 25 bilhões em bolsa. Isso é mais do que o valor movimentado em todo o ano de 2019 nesta classe de oferta. Além disso, o volume de emissões é superior a R$ 55 bilhões.

Maior número de investidores e menores taxas de juros impulsionam o mercado de capitais

Mas qual é o fator que está possibilitando esse desempenho no mercado acionário brasileiro?

Entre eles, pode-se citar a redução das taxas de juros, para o menor patamar da história do Brasil, que provoca uma migração de investidores da renda fixa para a renda variável, o que aumenta a demanda por ativos de empresas cotadas em bolsa. Para se ter uma ideia dessa migração, o número de investidores na B3 aumentou significativamente ao longo de 2020. Foram cerca de 900 mil novos CPFs abertos na bolsa entre março e julho, chegando a quase 3 milhões de investidores no país.

Isso é importante visto que, se não houver demanda, a entrada de novas empresas pode acabar sendo frustrada. Como exemplo, nas últimas semanas, a Riva 9 e a Direcional fracassaram em suas tentativas de IPO, visto que não encontraram compradores o suficiente para colocar suas ações no mercado. 

É por isso que, em países desenvolvidos e com mais investidores em bolsa, o mercado de capitais costuma ser mais maduro e com mais empresas listadas. Nos Estados Unidos, por exemplo, mais de 65% da população investe em bolsa, enquanto esse valor no Brasil está próximo a 1%. Por outro lado, há praticamente 6.000 empresas listadas por lá e apenas em torno de 400 por aqui.

Diante dessa realidade de maior número de investidores e maiores volumes de recursos migrando para os ativos de renda variável, os próximos meses devem ser bem fortes na história do mercado de capitais brasileiro, com recordes de IPOs.

Benefícios para empresas e investidores

Tendo em vista todos os fatores acima mencionados, a entrada de novas empresas na bolsa de valores fica mais atrativa. Isso garante mais uma forma das companhias se financiarem de maneira mais barata, contribuindo para a lucratividade dos investidores, da própria empresa e para o desenvolvimento do mercado de capitais do país. É dessa forma que um país gera mais empregos, renda, crescimento e lucratividade para as pessoas e para as empresas.

Oportunidades inseridas em IPOs

Os processos de IPO podem ser grandes oportunidades, no caso de ações precificadas abaixo do valor justo, mas também podem significar riscos mais altos para os investidores. Isso pode ocorrer tanto pela alta volatilidade de preços devido à menor disponibilidade de informações históricas daquela companhia, sejam elas financeiras, operacionais, ou do próprio histórico de cotações, como pela precificação excessiva das ações.

Momentos de alta nas bolsas atraem mais empresas para realizarem IPOs. O motivo é óbvio: ao captar recursos, uma companhia quer cobrar o maior valor possível por uma fatia de seu negócio. Dessa forma, um mercado de alta é um ambiente muito mais fértil para o surgimento de ofertas de ações.

Para exemplificar, o Banco Votorantim (BV) estava em meio a um processo de emissão de ações quando a pandemia de Covid-19 chegou em março. Por isso, a oferta foi paralisada. Agora, em agosto, o banco veio a público informar que está relançando seu plano de listagem em bolsa, em um momento em que a bolsa já está em patamares mais altos.

É por isso que a tendência de preços elevados e possíveis riscos ao seu capital é comum em novas ofertas de ações. Assim, é essencial dispor de uma assessoria de investimentos qualificada em momentos como este, que possa analisar as reais oportunidades por trás daquele IPO e instruí-lo. A Apex Partners possui um time de especialistas que atuam na seleção de boas oportunidades de mercado, como as que podem surgir em IPOs.

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