O impacto dos juros baixos no dólar e nos preços

juros e dólar

Desde o começo do fechamento das cidades, o Banco Central do Brasil (BCB) adotou a mesma linha de atuação dos países com moedas fortes. Foram reduzidos os juros para tentar expandir e baratear o crédito, mas houve alguns impactos sobre o dólar e os preços.

Impacto das crises em diferentes países

Nos momentos de crise, há aumento de demanda por moedas fortes e também por títulos dos governos destes países. Isso porque os investidores buscam maior proteção, estando dispostos a aceitar menor retorno.

Infelizmente, o Brasil não tem uma moeda forte, não é um país estável. Dessa forma, não é o tipo de país que fornece proteção nestes momentos. No ambiente de maior incerteza, como em 2020, a consequência da queda dos juros foi a forte e persistente desvalorização do real frente às moedas fortes, como dólar, euro, libra, etc. Afinal, com taxas de juros baixas, porque investir em Brasil?

Consequências da desvalorização do real e da alta do dólar

A desvalorização da moeda aumentou o preço dos bens comercializáveis em reais: commodities, alimentos, medicamentos, etc. Este só não foi maior devido à queda dos preços das commodities no mercado internacional. 

Portanto, dada a forte recessão no primeiro semestre de 2020, estes aumentos não chegaram ao consumidor brasileiro. Com a demanda em queda, os produtores e atacadistas não conseguiram repassar o aumento de custos para o consumidor, via aumento de preços. Assim, eles absorveram a queda de rentabilidade. Por isso, enquanto o IPCA (Índice de Preço ao Consumidor Amplo) acumulado nos últimos 12 meses está em 2,31%, já o IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo) acumulado de 12 meses foi divulgado hoje em 21,58% e o IPP (Índice de Preços ao Produtor) está em 11,13% na mesma comparação.

Situação atual dos juros, do dólar e dos preços e perspectivas futuras

Agora que a economia mundial está em recuperação, os preços das commodities no mercado internacional estão subindo. Essa alta gera novo aumento de custos sobre as empresas brasileiras.

Mas agora a situação é diferente. Com a recuperação da economia no Brasil, duas podem ser as consequências. Ou há uma reversão na desvalorização do real, reduzindo os preços domésticos dos bens comercializáveis. Ou os produtores e atacadistas brasileiros vão tentar repassar os aumentos de custos, elevando os preços para o consumidor e recompondo a margem de lucro. É o que está acontecendo no momento, conforme várias notícias veiculadas na imprensa.

A política de juros do BCB tinha objetivos claros, dado o choque gerado pelo coronavírus. Porém, não foram observados os efeitos colaterais em uma economia instável como a brasileira. No momento de recuperação que vivemos, se a inflação aumentar, o BCB vai puxar os juros para conter o dólar e o aumento de preços? Ou vai ignorar a inflação, mantendo os juros baixos? 

Talvez esteja na hora do BCB perceber que o Brasil não tem moeda forte, não é um país estável e começar a conduzir nossa política monetária levando estas características em consideração.

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