Como as eleições americanas podem impactar as políticas da China

China OMC

Há 20 anos, o Governo do Presidente Clinton foi o responsável pela negociação que levou a China a entrar na Organização Mundial de Comércio (OMC). O acordo, conduzido com o auxílio e influência de Joe Biden, candidato democrata à presidência em 2020, pretendia fazer o país reformar sua economia e se adaptar às regras de comércio mundial.

Porém, a China nunca fez as reformas demandadas pela OMC. Fato que já foi apontado pelo atual presidente americano, Donald Trump. Em particular, o país continua ignorando os direitos de propriedade intelectual e as regras para receber investimento estrangeiro.

Esta foi uma das justificativas de Trump para iniciar uma guerra comercial com a China, que resultou no acordo comercial assinado em janeiro de 2020. A questão que se coloca no momento é o que deve acontecer com a relação comercial China-USA nos próximos anos.

Possíveis cenários após as eleições americanas

Se o atual presidente se reeleger, é provável que as disputas comerciais continuem no formato atual, com o aumento das barreiras para empresas chinesas comprarem tecnologias norte-americanos.

Mas, se Joe Biden ganhar, embora esteja prometendo manter a China sob pressão, algumas mudanças devem ocorrer. Por exemplo, a campanha de Biden propõe uma busca pela formação de uma coalizão de países para pressionar o governo chinês, deixando de agir isoladamente.

Assim, uma nova onda de exigências para que o país mude sua política interna em direção à democracia e ao respeito pelos direitos humanos acontecerá. Essa situação, por sua vez, levará os Estados Unidos a novos acordos de livre comércio com outros países para isolar ainda mais a China (como a TPP, “Trans-Pacific Partnership”).

As dificuldades que Joe Biden pode ser obrigado a enfrentar

Parece um bom caminho. O problema é conseguir o apoio do Partido Democrata, visto que este está bastante dividido e com grupos bem radicalizados atualmente. Inclusive, há o risco de os democratas usarem a disputa com a China simplesmente para aumentar as barreias comerciais dos Estados Unidos.

Além disso, novos acordos de livre comércio podem ser difíceis de adquirir amplo apoio do partido, pois os democratas têm forte ligação com os sindicatos, que são contrários ao livre comércio. Da mesma forma, atrair os parceiros americanos na Ásia pode demandar maiores gastos em defesa para protegê-los das ambições dos chineses.

Como já vimos nos últimos 20 anos, apenas com discursos, não há como alterar o comportamento chinês. Assim, o importante é que o candidato eleito consiga implementar suas políticas e fazer a China, finalmente, respeitar as normas da OMC.

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