Carteira recomendada de ações 10SIM de outubro

Ações 10SIM

A Apex Partners divulga mensalmente um resumo das teses e dos fundamentos por trás das recomendações de ações do BTG Pactual. A carteira 10SIM apresenta 10 ações selecionadas pela equipe de research do BTG, a melhor da América Latina. O objetivo da carteira recomendada é selecionar as melhores oportunidades e performances do mercado de ações, sem considerar necessariamente índices de referência ou liquidez. Ela também conta com ações bem diversificadas, resultando em menor risco.

O cenário atual brasileiro traz incertezas, considerando o risco fiscal e atritos políticos. Entre as questões em foco, estão o teto de gastos e o Renda Cidadã, anteriormente Renda Brasil. Assim, o mercado pode permanecer pressionado em curto prazo.

Já nos Estados Unidos o momento é de instabilidade, tendo em vista as eleições americanas, sendo comum realizações de lucros no momento. Porém, deve-se lembrar que o mercado não está reagindo severamente aos resultados de pesquisas que apontam o candidato democrata, Joe Biden, à frente. Pode-se considerar que este não teria medidas tão duras no sentido de prejudicar o mercado, mesmo representando algum risco.

Ainda assim, os valuations se ajustaram significativamente. O índice agora é negociado a menos de um desvio padrão acima de sua média histórica (13,7x vs. 12,7x 2021E P/L). Dessa forma, a relação risco/retorno para as ações brasileiras tornou-se mais atraente.

Do ponto de vista de valuation, as ações brasileiras parecem mais atraentes após a recente liquidação, enquanto os riscos também cresceram. Nas projeções do banco de investimentos, em um cenário em que a consolidação fiscal é buscada de forma mais agressiva, as taxas de juros reais de longo prazo poderiam chegar à níveis mais baixos, como 3%. Nesse cenário, mantendo as outras variáveis inalteradas, é possível concluir um P/L alvo de 17,6x, denotando uma potencial de valorização de 29%.

Rentabilidade da carteira

Quanto à rentabilidade da carteira, o mês de setembro contou com uma queda de -4,1%. Entretanto, veio melhor do que o Ibovespa, que caiu -4,8% no período, como pode ser visto no gráfico a seguir. Nele, pode-se ver rentabilidade histórica desde outubro de 2009, quando o head global de análise e estratégia do BTG, Carlos Sequeira, assumiu o gerenciamento da Carteira.

Por fim, a rentabilidade acumulada da carteira 10SIM é de 212,5%, ante 53,8% do Ibovespa e 80,9% do IBX-50.

De maneira geral, é considerado que as empresas estão em um bom momento, com um perspectiva de longo prazo positiva.

Alterações na carteira

A Gerdau foi adicionada na carteira recomendada para aumentar a exposição do setor de construção civil e infraestrutura. Isso porque ela é uma produtora de aços longos que deve se beneficiar da demanda crescente por obras de construção no Brasil.

Embora barata e bem posicionada, a JBS foi retirada do portfólio devido à precificação das questões de governança corporativa. Também, no momento outras empresas estão valendo mais a pena. Ou seja, a troca foi mais por uma questão de custo de oportunidade e de timing. Mas a casa ainda acredita em perspectivas positivas para a empresa no longo prazo.

Além disso, para aumentar a exposição ao e-commerce, as Lojas Americanas foi substituída pela Magazine Luiza. Esta não possuiu um valuation tão atrativo, mas o BTG destaca que ela está sendo beneficiada pelas mudanças no comportamento do consumidor na pandemia, além de ter apresentando forte crescimento e resultados sólidos.

As trocas, então, se dão em função do momento, que deve proporcionar resultados muito positivos nos próximos meses.

Vale (VALE3)

O minério de ferro teve um desempenho positivo nesta crise, sem falar no desempenho dos resultados da Vale em 2020. A demanda de minério de ferro da China permanece forte, enquanto as interrupções no que se refere à oferta proporcionaram aos mercados um déficit. Vale ressaltar que, mesmo com eventual queda nos preços do petróleo, a perspectiva positiva da casa para as ações da Vale ainda se mantém.

Além disso, nos níveis atuais, há expectativas de que a Vale entregue US$ 19 bilhões de EBITDA em 2020, resultando em um FCF yield superior a 20% de fluxo de caixa.

Eles consideram que as ações estão baratas e que a redução da percepção de risco da tese da ação se dará gradualmente com base em três pilares.

O primeiro deles é o retorno de caixa que deve gerar entradas adicionais, sendo recentemente restabelecida a política de dividendos da empresa. Além disso, deve haver uma forte recuperação nos volumes, sem falar nos custos decrescentes. Por fim, um fator essencial para que seja visualizada a melhora na percepção de risco da companhia é uma maior percepção ESG, dado o foco maior da administração no tema desde Brumadinho.

Mais especificamente sobre os riscos de barragens, foi apontado que a empresa está desenvolvendo a segurança necessária para que não ocorram novos desastres. O BTG acredita que a empresa está evoluindo quanto à sua cultura organizacional, desenvolvendo melhor sua estratégia ESG.

As ações estão negociando a 3,5x EBITDA em 2020 e ainda é visto um potencial de valorização.

Magazine Luiza (MGLU3)

O destaque da Magazine Luiza são as suas operações de e-commerce. As operações de varejo físico em si devem se recuperar gradualmente nos próximos trimestres, fazendo com que o setor de comércio online continue performando bem acima.

Nos últimos anos, a MGLU teve uma jornada impressionante, com esforços no sentido de desenvolver uma uma plataforma de e-commerce com uma ampla variedade, alto tráfego e foco em níveis de serviço. Assim, a empresa está no portfólio da carteira devido à sua boa posição. Ela possui uma estrutura organizacional forte para continuar sua trajetória de crescimento acima do mercado, estando incluso seu forte desempenho no 3° trimestre deste ano.

A análise é de que há fortes perspectivas de crescimento no curto prazo e pilares estruturais para que esta continue desempenhando bem no longo prazo.

Petrobras (PETR4)

A Petrobras está na carteira recomendada do BTG desde o início da pandemia. Isso tendo em vista fatores como a sua resiliência de longo prazo, mesmo sob um ‘novo normal’ para os preços do petróleo.

As perspectivas para o ritmo de recuperação do preço do petróleo permanecem conservadoras. No entanto, o foco da petroleira está em projetos de alto retorno na área do pré-sal, devendo ser capaz de reduzir o ponto de equilíbrio do petróleo abaixo de $30/bbl, o que abre caminho para lucros sustentáveis a longo prazo.

Além disso, o pior momento para os mercados de petróleo agora parece ter ficado no passado, o que deve ser logo percebido pelo mercado. Ainda, a decisão positiva do Supremo Tribunal Federal permite que esta prossiga com o processo de desinvestimento de suas refinarias sem a aprovação do Congresso Nacional, facilitando um re-rating mais ágil.

Entretanto, ela segue um pouco pressionada por uma demanda menor, que ainda está sendo monitorada pela equipe, mas a perspectiva é de que no ano que vem o preço do petróleo volte a se recuperar, assim como as ações da empresa.

Gerdau (GGBR4)

A Gerdau entrou para o portfolio neste mês devido a questões como seu forte crescimento de receita, sua baixa alavancagem, a geração de fluxo de caixa livre (FCF), pouca exposição cambial e sua exposição ao setor imobiliário.

A análise da casa aponta para um aumento da força estrutural dos mercados imobiliários no Brasil. Por isso, espera-se que a demanda por aços longos, fabricados pela Gerdau, continue desempenhando melhor. Além disso, a empresa está bem posicionada para repassar aumentos de preços e superar as expectativas, além de estar bem alocada no segmento de varejo de construção, que se encontra em expansão.

Além disso, as linhas de crédito crescem cada vez mais, além de o governo ter abaixado a taxa de hipoteca para o programa Casa Verde e Amarela, que substitui o bolsa família. As vendas também apresentam um crescimento anual em torno de 20%. A análise, assim sendo, é de que o setor está e vai permanecer em um timing muito bom.

Em nível internacional, a China, por exemplo, anunciou um pacote de US$ 500 bilhões de dólares no início da pandemia. Isso contribuiu para que houvesse um aumento da demanda por aços longos. Por fim, há espaço para fazer um reajuste de preços.

As ações da Gerdau são negociadas a 6,1x o EBITDA 21, um pouco abaixo de seu múltiplo normalizado.

CCR (CCRO3)

A CCR está bem posicionada no setor de transporte. Isso porque seu modelo de negócios é defensivo, o fez com que esta se mostrasse resiliente durante a crise, sem falar na já demonstrada recuperação do tráfego em setembro. Já no cenário de longo prazo do setor, o Brasil enfrenta uma lacuna de infraestrutura e o pipeline de concessão deve ser retomado.

Nesse cenário, é esperado que a CCR se beneficie de um ambiente menos competitivo, tendo em vista a pressão financeira enfrentada pela maioria de seus pares diretos. Ainda devem ser destacados os níveis de valuation atraentes da empresa, a uma Taxa Interna de Retorno (TIR) real de 7,0%.

Além disso, sinalizamos que o potencial anúncio do reequilíbrio de contrato deve se tornar um evento positivo no setor, removendo ameaças antigas sobre as ações da CCR. De acordo com a análise preliminar do BTG, os desequilíbrios podem adicionar R$ 6,0 por ação ao preço-alvo atualmente considerado.

Nesse sentido, houve a criação de um comitê especial com o governo do estado de São Paulo para discutir todos os reequilíbrios pendentes, sendo que o reequilíbrio contratual está atingindo seus estágios finais.

TIM (TIMP3)

O setor de telecomunicações em geral deve superar a média do mercado neste momento, visto que seu modelo de negócios é mais resiliente, com forte geração de fluxo de caixa.

Falando especificamente sobre a TIM, o BTG acredita que há uma vantagem adicional decorrente da possível transação de M&A envolvendo a Oi Mobile. Dessa forma, caso a venda da divisão móvel da Oi por R$ 16,5 bilhões seja confirmada, o BTG estima que pode-se chegar a um aumento do preço-alvo de R$ 3,50 por ação, que somadas ao preço-alvo por eles estimado de R$ 16,50, resultam em R$ 20,00 por ação.

Ainda vale lembrar que as empresas mais descontadas da carteira são as do setor de telecomunicação. A TIM está com um potencial de upside de 70% e a Oi de 68%.

Oi S.A. (OIBR3)

Depois da aprovação do plano de reestruturação revisado da Oi em uma assembleia geral de credores em 8 de setembro, a tese de investimentos no papel foi reavaliada e o preço-alvo revisado. Dessa forma, o novo preço-alvo é de R$ 2,80 por ação, ante R$ 2,0 anteriormente, o equivalente a um potencial de valorização de 63%.

Como resultado imediato da revisão do plano aprovado, o caso de investimento da Oi está muito menos arriscado, levando em conta que agora está autorizada a venda de ativos que podem levantar R$ 24 bilhões em caixa para a empresa. Esse valor poderia ser usado para pagar dívidas e fornecer o capital necessário para investir em sua estratégia focada em fibra.

B3 (B3SA3)

Em videoconferência do BTG Pactual com o Chefe de Produtos da B3 há algumas semanas, foram repassadas as diferentes iniciativas da B3 para garantir sua posição de destaque no mercado em um mercado de capitais brasileiro com tendência de desenvolver-se cada vez mais.

A empresa apresentou resultados fortes no 2° trimestre, com receita ligeiramente acima dos números também fortes do 1° trimestre. Já no 3° trimestre o resultado deverá vir forte novamente. Sendo assim, com a recente liquidação no preço do ativo, cria-se um ponto de entrada atraente.

Os relatórios ainda sinalizam que taxas de juros anormalmente baixas e os fluxos de informação substancialmente mais altos por meio de canais digitais contribuíram para um rápido aumento no número de Pessoas Física na B3. É ressaltado, portanto, que a pandemia pode apenas ter acelerado as tendências de desenvolvimento do setor financeiro que viriam nos próximos anos.

De maneira geral, para se manter hegemônica no mercado, a B3 possui boas estratégias de alocações e evoluções em seus produtos, também dispondo de uma movimentação do mercado cada vez mais intensa.

Como resultado, B3 tem sido uma das Top Picks do BTG e, portanto, merecidamente mantém seu lugar no portfólio por mais um mês.

Cyrela (CYRE3)

Apesar do cenário ainda incerto, a Cyrela, incorporadora e construtora de imóveis, deve surfar a onda da recuperação do setor habitacional, pois está bem posicionada, sem falar nas condições macroeconômicas que favorecem o setor no momento.

Mesmo com a crise do coronavírus, há uma recuperação rápida das vendas de imóveis domiciliares no segmento de renda média/alta. Além disso, como pode ser visto no radar do mercado imobiliário de setembro da Apex Partners, vê-se a retomada deste setor como um todo. Isso é impulsionado pelas taxas de hipoteca mais baixas do que nunca. O Santander, por exemplo, anunciou novos cortes nas taxas, anunciando 6,99% ao ano mais a Taxa Referencial (TR).

Mais especificamente, a avaliação do BTG é que a Cyrela está muito bem posicionada para aproveitar esse momento porque detém marcas diferentes que atendem a todos os segmentos de renda. Assim, mesmo beneficiando-se da recuperação das vendas de imóveis e voltando a realizar lançamentos, a empresa ainda negocia a um valuation atraente.

Duratex (DTEX3)

O fundamento de atratividade da companhia reside também no fato dela já estar operando em níveis praticamente normalizados apesar da pandemia. Um dos fatores apontados foram as reformas de imóveis que vêm se intensificando no momento. Possivelmente, isso é uma consequência da maior permanência das pessoas em casa devido ao home office.

A empresa é produtora de painéis de madeira, soluções em laminado, vinil e rodapé, entre outros. Dessa forma, a dinâmica da Duratex está muito atrelada à aceleração da construção civil e ao crescimento do setor imobiliário em um cenário de juros baixos, havendo perspectivas positivas. Esta, portanto, deve se beneficiar dos fortes mercados de construção (pequenas obras + reformas + novos lançamentos) tanto nos próximos trimestres quanto no longo prazo.

Por fim, há de se considerar que a um aspecto crítico do caso, que é o aumento da exposição a negócios de maior margem/menor capital investido, o que pode alterar potencialmente o ROE de longo prazo.

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