Como o Pix ajudará a desenvolver o mercado brasileiro

Pix

Um pressuposto econômico é o de que quem se beneficia de maior concorrência entre os agentes do mercado é o consumidor. Outro é que, quão menores são os custos de transação — isto é, a despesa para firmar operações, contratos e negócios —, maior será a produtividade e prosperidade. Ambas são, justamente, as principais vantagens do Pix, novo sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central. Em apenas 72 horas, registrou mais de 16,6 milhões de cadastros de chaves de identificação para seu uso.

Atualmente, há diferentes modelos de pagamentos instantâneos em 56 países, com o Brasil sendo o próximo. O resultado será a maior dinâmica de segmentos, além do desenvolvimento de modelos de negócios e do mercado em geral.

Os impactos do Pix na redução de custos de transação

O novo sistema rivaliza com operações de TED e DOC, além de cartões de débito e até para o crédito. Ele estará disponível a qualquer hora, sete dias por semana, com a confirmação das transações demorando cerca de dez segundos. Para pessoas físicas, o custo disso será gratuito e, mesmo para pessoas jurídicas, irrisório comparado às outras opções existentes.

Essa redução no custo de transações diminuirá as receitas de instituições bancárias. A agência de classificação de risco Moody’s prevê que os bancos perderão até 8% da receita atual com tarifas. Por outro lado, as receitas de empresas de maquininhas de cartão podem diminuir entre 18% a 63%, segundo estimativa da Roland Berger. Isto é, até R$ 13 bilhões.

As instituições que tem receitas com o mercado de pagamentos, portanto, precisarão fidelizar os clientes para que usem produtos que rendam dinheiro, como crédito, investimentos, ou outros produtos, como no caso do varejo.

Por conseguinte, o impacto do Pix, que entrará em operação a partir de 16 de novembro, será de uma melhor alocação do capital disponível.

Vantagens para o varejo com o Pix

Com o novo sistema, as transferências chegarão à conta destino em questão de segundos a partir de aplicativos no celular.

Atualmente um boleto demora até dois dias para ser compensado. Cerca de metade dos boletos emitidos pelo e-commerce não são pagos antes do vencimento. Isso bloqueia o produto no estoque e eventualmente impede a venda do bem para outro cliente.

Com o Pix, isso já não ocorrerá mais, haja vista que ele reduz o tempo para confirmação de pagamento a quase zero, auxiliando no fluxo de caixa do varejo. Além disso, o custo da operação será menor do que o atual, ajudando no crescimento do consumo, no aumento das vendas do comércio e da indústria fornecedora e, em consequência, com forte impacto na geração de empregos.

Impulso a novos modelos de negócio

Outra consequência da entrada do Pix será a de novos modelos de negócios serem viabilizados a partir da derrubada das barreiras de entrada. Com o Pix, qualquer tipo de conta se torna um meio de pagamento, o que na prática fará com que bancos tradicionais concorram diretamente com fintechs e carteiras digitais.

Assim, uma conta digital aberta por uma empresa determinada não apenas poderá ser utilizada para a aquisição de seus produtos, mas para o pagamento de qualquer transação a partir desta.

Operadoras de telefonia, por exemplo, poderão se tornar marketplaces, oferecendo serviços ligados ou não ao setor. Dessa forma, haverá uma busca pela fidelização do consumidor a partir de uma melhoria na relação com ele.

Esse mercado estará mais disponível do que nunca, já que a pandemia acelerou o processo de bancarização dos brasileiros. Antes da Covid-19, havia 45 milhões de desbancarizados no país, mas com o pagamento do auxílio emergencial, 33 milhões passaram a ter conta. Com o Pix, a expectativa é que mais brasileiros passem a ter alguma conta digital, consequentemente proporcionando a inclusão financeira de parcela da população que hoje não é atendida pelo sistema financeiro tradicional.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *