Carteira recomendada de Small Caps de outubro

Small Caps

A Apex Partners realiza mensalmente uma live para falar sobre a carteira recomendada do BTG Pactual, montada com a assistência de um time de Research eleito por diversas vezes como o melhor do Brasil. A Carteira Recomendada de Small Caps (BTGD SMLL) tem como objetivo selecionar as melhores oportunidades de crescimento no mercado das empresas com valor de mercado informal de até R$ 15 bilhões. Ela é composta por 5 small caps selecionadas pela equipe de análise e estratégia da instituição:

Em outubro, foram adicionadas à carteira as small caps de aluguel de carros Movida (MOVI3) e a de varejo de construção Lojas Quero Quero (LJQQ3). Já a EcoRodovias (ECOR3) e a JSL (JSLG3, atual SIMH3) foram retiradas. Por fim, mantivemos a empresa de revestimento cerâmico e madeira Duratex (DTEX3), a empresa de soluções para transporte Randon (RAPT4) e a empresa de telecomunicações Oi (OIBR3).

A performance da carteira de small caps tem sido destaque no mercado a anos, como pode ser visto no gráfico abaixo:

Já em setembro, a carteira teve alta de 0,24%, performando melhor do que o índice de referência (SMLL), que caiu 5,44% no mês:

Movida (MOVI3)

Recentemente houve o anúncio de uma potencial união entre os negócios da Localiza e da Unidas. Elas são as duas maiores empresas do setor de aluguel de carros.

A Movida, comparativamente, se encontra bem posicionada para sair beneficiada de uma dinâmica de recuperação da oferta e da demanda do setor. Isso, levando em conta que a consolidação do segmento deve trazer uma interessante racionalidade de fornecimento ao negócio.

As perspectivas vislumbradas pelo BTG, portanto, se baseiam em alguns pontos. No que se refere ao sourcing, é relevante a união entre Localiza e Unidas. Isso porque ela pode aumentar demasiadamente a exposição das montadoras a um único player. Nesse caso, poderiam ser criadas melhores condições para o outro player, como uma abordagem defensiva estratégica, beneficiando a Movida.

A participação de mercado combinada de RAC da NewCo formada por Localiza e Unidas seria de 66%, podendo implicar na racionalização da capacidade e melhorando a dinâmica de oferta e demanda, especialmente em aeroportos.

O terceiro ponto é que os clientes corporativos também podem querer ter um segundo fornecedor para controlar o poder de precificação do novo líder. Nesse sentido, a Movida é favorecida.

Também, como é esperado que a NewCo migre para os múltiplos da RENT, o gap de valuation da Movida se amplia comparativamente, o que a torna mais atraente em seu setor de atuação. Atualmente, a Movida está negociando a 15,9x P/L 21 ante 41,5x P/L 21 da Localiza. Dessa forma, considera-se que a empresa negocia em níveis de valuation atrativos e com riscos positivos relevantes, de forma a justificar a escolha.

O cenário para o setor, ainda, é bem positivo, devido à sua recuperação e uma tendência cada vez menor de aquisição de carros, mas sim de alugá-los.

Lojas Quero Quero (LJQQ3)

A Quero Quero dispõe de um modelo de negócios que se enquadra na sólida expansão no campo nos próximos anos. Além disso, dispõe de uma comprovada execução no seu negócio de financiamento ao consumidor e uma cultura forte que apoia o crescimento acelerado. Para se ter uma ideia, mais de 450 lojas devem ser abertas nos próximos 5 anos.

Já no curto prazo, a empresa desfruta de um momentum resiliente. Apesar de não negociar à múltiplos tão atrativos (32x P/L 2021), a avaliação é de que o valuation atual ainda oferece um potencial de valorização atraente.

Duratex (DTEX3)

O fundamento de atratividade da companhia reside também no fato dela já estar operando em níveis praticamente normalizados apesar da pandemia. Um dos fatores apontados foram as reformas de imóveis que vem se intensificando no momento. Possivelmente, isso é uma consequência da maior permanência das pessoas em casa devido ao home office.

A empresa é produtora de painéis de madeira, soluções em laminado, vinil e rodapé, entre outros. Dessa forma, a dinâmica da Duratex está muito atrelada à aceleração da construção civil e ao crescimento do setor imobiliário em um cenário de juros baixos, havendo perspectivas positivas. Esta, portanto, deve se beneficiar dos fortes mercados de construção (pequenas obras + reformas + novos lançamentos) tanto nos próximos trimestres quanto no longo prazo

Por fim, há de se considerar um aspecto crítico do caso, que é o aumento da exposição a negócios de maior margem/menor capital investido. Essa dinâmica pode alterar potencialmente o ROE de longo prazo.

Oi S.A. (OIBR3)

Depois da aprovação do plano de reestruturação revisado da Oi em uma assembleia geral de credores em 8 de setembro, a tese de investimentos no papel foi reavaliada e o preço-alvo revisado. Dessa forma, o novo preço-alvo é de R$ 2,80 por ação, ante R$ 2,0 anteriormente, o equivalente a um potencial de valorização de 63%.

Como resultado imediato da revisão do plano aprovado, o caso de investimento da Oi está muito menos arriscado. Isso leva em conta que agora está autorizada a vender ativos que podem levantar R$ 24 bilhões em caixa para a empresa. Esse valor poderia ser usado para pagar dívidas e fornecer o capital necessário para investir em sua estratégia focada em fibra.

Randon (RAPT4)

A Randon pertence ao setor de soluções para o transporte, com atuação em reboques e semirreboques, veículos fora-de-estrada, autopeças e serviços financeiros.

Levando em conta que 60% da carteira da empresa está direcionada ao agronegócio, ela foi favorecida pelo fato de este ser um dos únicos setores que se mantiveram fortes durante a pandemia. Nesse sentido, o BTG analisou que a Randon deve ter uma recuperação de vendas mais clara no pós-crise, impulsionada pelas vendas de veículos pesados resilientes devido à forte demanda do agronegócio e pelas vendas de aftermarket estáveis, com peças de revenda e serviços mostrando força.

Além disso, a incorporação da Nakata pela subsidiária Fras-le traz perspectivas positivas, tendo o CADE recentemente aprovado o negócio, com fechamento em setembro. Com a inclusão da Nakata, os modelos do BTG acrescentam R$ 1 por ação ao preço-alvo da ação.

No médio e longo prazos, a visão é de que a Randon também se beneficiará de seus esforços inovadores, atualmente com um portfólio contendo 29 soluções a serem desenvolvidas. Por fim, a estimativa é de que a empresa seja negociada a um nível de valuation atraente de 10,4x P/L 21E.

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