O retorno dos títulos públicos com a crise fiscal

retorno dos títulos públicos

Ao realizar a reforma da previdência, o governo Bolsonaro deu um grande passo para controlar o descontrolado e crescente déficit público. Como resultado desta reforma, o retorno dos títulos públicos brasileiros caiu continuamente durante 2019, tendo em vista a redução do risco de aportar no país.

A regra que determina o prêmio a ser pago ao investir em determinado país é clara: quanto maior o risco, maior deve ser o retorno, para que alguém realmente aporte capital naquele ativo.

Porém, desde então, muito pouco foi feito e o governo não apresenta uma estratégia clara para continuar as reformas que estão paradas no Congresso.

Porque o retorno dos títulos públicos cresceu no Brasil

Como resultado desta paralisação de reformas e dos gastos extraordinários em 2020, o déficit e a dívida pública cresceram rapidamente. Para piorar, nas últimas semanas o governo voltou a falar em novos gastos e em aumento e criação de novos impostos para 2021.

A consequência desta mudança de comportamento do governo em 2020 foi o aumento do risco fiscal ou risco de crédito da dívida pública, levando o mercado a demandar retornos maiores e prazos menores para continuar financiando o governo (por exemplo, as LFT estão sendo negociadas com deságio).

Nesse sentido, não temos muitas opções para resolver este endividamento crescente. Ou o governo tenta cortar e controlar seus gastos e voltar a negociar as reformas com o Congresso (reforma administrativa, PEC 186 e 188) ou vai tentar a estratégia dos anos 90, aumentando e criando impostos. 

Infelizmente, as consequências destas estratégias são bem distintas. As reformas levam ao aumento do crescimento. Já o aumento e a criação de impostos leva a queda do crescimento. Além disso, sem atacar o crescimento vegetativo do gasto público, esta opção apenas posterga as crises.

Por fim, ao observar os recorrentes problemas fiscais e a queda do crescimento das últimas décadas, a segunda opção tem sido a escolhida pelos diferentes governos. Isso apenas mostra como não querem  confrontar os grupos privilegiados pelo gasto público brasileiro.

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