Lentidão do governo pode resultar em mais impostos

Lentidão do governo

Nas últimas semanas temos visto o comportamento surpreendente do governo. Eleito com a proposta de controlar e cortar gastos e impostos, este faz exatamente o oposto. Nas declarações do presidente Bolsonaro vê-se apenas falar no sentido de aumentar gastos. É a mesma desculpa de sempre: tudo pelo social. Do outro lado, o ministro Paulo Guedes fala somente na criação e no aumento de impostos. Mas essa lentidão do governo em avançar com as pautas que lhe cabem pode trazer consequências perversas.

Infelizmente, enquanto o governo faz este discurso, as reformas estão paradas no Congresso. Assim, dado o crescimento vegetativo dos gastos públicos, esta forma de gerar uma paralisação faz com que seja mantida a deterioração das contas públicas, aumentando a possibilidade de uma crise fiscal.

Problemas da lentidão do governo

Dessa forma, com a criação de novos impostos, devemos conseguir superávit. E é assim que abre-se espaço no orçamento para satisfazer o presidente Bolsonaro, aumentando os gastos e abandonando as reformas que retiram os privilégios pagos pelo setor privado.

Entretanto, tanto este discurso quanto a lentidão do governo podem ser explicados. Ao escolher seguir o caminho da lentidão, o governo aumenta a possibilidade de uma crise fiscal. Com o aumento da possibilidade de uma crise fiscal, a resistência à criação de impostos pelo Congresso tende a diminuir, abrindo espaço para que o ministro da economia possa atingir seu sonho de recriar a CPMF, a bitributação dos dividendos, entre outros. 

Segundo pesquisa do PoderData de outubro deste ano, o governo do presidente Jair Bolsonaro é aprovado por 52%, enquanto 41% dos brasileiros o desaprovam. No entanto, ante do auxílio emergencial, instituído em 2 de abril, esse cenário era bem mais negativo para o presidente.

Em pesquisa do Datafolha realizada em março e divulgada no início de abril, a provação de Bolsonaro era de 33% e a reprovação de 39%.

Em síntese, sem espaço para aumentar gastos e sem apoio para criar impostos, o comportamento do governo de nada fazer pode criar o ambiente de crise necessário para atingir ambos os objetivos.

Um dos riscos para o presidente é termos uma crise, como a Argentina, em um ano de eleição. Por fim, para o Brasil esta paralisação das reformas é a certeza de mais instabilidade e menos crescimento.

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