Trump ou Biden: qual o impacto na bolsa?

Como já ventilamos na Carta do Economista e na Visão do Estrategista de outubro, estamos atentos ao desenrolar das eleições presidenciais dos Estados Unidos em virtude de sua influência no mercado acionário. Afinal, dificilmente a economia brasileira crescerá de forma sustentável em um cenário de recessão global.

Em cenários de incerteza, como neste em que o risco político das eleições americanas pode influenciar no preço de ativos e abrir tanto desvalorização quanto oportunidades de mercado, é essencial ter uma assessoria de investimentos. Assim, o time da APX Investimentos está atento a esse cenário para ajudar na melhor tomada de decisão de acordo de cada investidor.

E, nesta semana, fizemos uma live para analisar como as eleições entre Donald Trump e Joe Biden podem impactar na bolsa de valores. O evento contou com a presença de João Scandiuzzi, Estrategista-Chefe do BTG Pactual, e Marcelo Santucci, Head do BTG Pactual.

Trump ou Biden: qual o impacto para a bolsa?

Análise do JPMorgan apontou que o índice S&P500 pode subir para 3.900 pontos se o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, for reeleito na próxima semana. O número representa alta de 12,6%. Segundo o relatório, uma vitória sem tumultos de Joe Biden seria neutra.

Porém, segundo o Head BTG Pactual Marcelo Santucci qualquer previsão desse tipo é muito difícil de ser feita porque há vários cenários possíveis no mercado. Todavia, o pior cenário seria de incertezas por várias semanas em relação a quem seria o vencedor das eleições.

Afinal, para cenários ruins, é possível se planejar, movimentar a carteira para ativos mais defensivos, entre outras ações; já no cenário de incerteza, a tendência é de maior volatilidade na bolsa

Apesar disso, há a análise de que caso os democratas tenham predomínio nas duas casas, haja espaço para maiores pacotes de estímulos. Isso ajudaria na valorização de ativos de renda variável, apesar de um possível aumento de impostos.

Santucci opina em um cenário de vitória de Biden, mas com os republicanos mantendo o domínio no Senado, seria positivo: “nesse caso, o governo democrata teria dificuldade de elevar a tributação”.

Eventual vitória de Trump representaria uma visão de continuidade, mas há o temor de que em caso de ambas as casas legislativas serem dominadas pelos democratas haja aumento acentuado de despesas. Isso ocorre porque Trump não é um fiscalista.

De toda sorte, a leitura do head do BTG é que independente dos vitoriosos, o cenário para renda variável tende a ser positivo, especialmente em virtude da taxa de juros já estar baixa.

Possível incerteza sobre o resultado eleitoral

Nesta eleição dos Estados Unidos há uma incerteza adicional porque normalmente se descobre o resultado na noite da eleição, mesmo sem o resultado oficial. Contudo, em função da Covid-19, um grande número de eleitores têm optado por antecipar o voto e fazê-lo por Correios.

Esses votos representaram nas últimas eleições presidenciais 24% dos voto, mas neste ano a projeção é que seja acima dos 50%.

Como alguns estados apenas começarão a apurar os votos após o dia 3, o resultado oficial pode demorar alguns dias, até mesmo semanas caso haja demora na apuração em swing states decisivos.

Pacote de estímulos 

No início da pandemia foi aprovado um pacote de estímulo para a economia americana equivalente a 12% do PIB. Contudo, parte dos benefícios começaram a se encerrar em agosto, como o adicional do seguro desemprego, o pagamento de folha de salário para pequenas e médias empresas.

Na semana passada, o líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, afirmou que há risco de divisão da bancada se a votação ocorrer antes da eleição, bloqueando a tramitação do projeto.

Diante disso, a Casa Branca enviou projeto para o Congresso com novo pacote de auxílios equivalente a U$S 1,8 trilhões. Em contrapartida, os republicanos do Senado querem um pacote avaliado em um terço disso, enquanto os democratas pressionam por um estímulo econômico de U$S 2,5 trilhões.

Há estimativas que o pacote pode gerar impacto significativo no crescimento da economia norte-americana nos próximos três anos, com projeções otimistas de que, em cenário de diminuição da incerteza e crise sanitária controlada, seria possível um crescimento da economia entre 3% e 4% em 2021.

A maior discussão se dá em relação à possível transferência para estados e municípios, que com a pandemia vivem enorme crise fiscal. Em contrapartida, os republicanos defendem que os entes precisam se ajustar à nova realidade, sem auxílio da União.

Disputa entre Estados Unidos e China

Donald Trump fez movimentos buscando os interesses dos Estados Unidos de uma forma que afastou-se de aliados históricos. Sob o mandato do presidente, houve bloqueio na Organização Mundial do Comércio, saída do país do Acordo de Paris, busca por acordos comerciais bilaterais e anúncios inesperados de tarifas. Santucci avalia que isso gerou muitas incertezas entre os mercados.

Em relação ao que se esperar dos democratas, há a expectativa de continuidade dos embates com a China incluindo novos temas: além de tarifas e tecnologia, direitos humanos e o meio ambiente podem ser frutos de impasses entre os países também. 

Há a projeção de reintegração dos Estados Unidos em instituições globais e busca por fortalecer mecanismos de disputa e reconexão entre os aliados históricos, em especial Alemanha, França e Japão.

A ideia é um redesenho de regras no comércio internacional para pressionar a China de forma conjunta. A resposta da China neste caso gera incertezas.

Mudança da matriz energética com Biden?

Joe Biden tem sinalizado mudanças que deixam mercados de segmentos energéticos e de petróleo preocupados. Porém, há uma pormenorização do impacto que essas medidas podem ter. “Embora deva haver menos subsídios para produção energética poluente, como no gás de xisto, e mais incentivos para energias menos poluentes, como a eólica, não se muda a matriz energética de um país em quatro anos”, analisou Scandiuzzi.

A expectativa é que isso pode gerar um aumento do preço do petróleo, o que seria negativo para empresas do setor nos Estados Unidos, mas positivo para quem é de fora.

As vantagens de se ter uma offshore

Na live, o portfolio solutions da APX Investimentos Vinícius Torres comentou sobre as vantagens de se ter uma offshore, como economia tributária, a privacidade e acesso aos mercados globais.

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