A economia do Espírito Santo no segundo trimestre de 2020

segundo trimestre Espírito Santo

O estudo Panorama Econômico, realizado pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), apontou como foi o desempenho da economia do Espírito Santo no segundo trimestre de 2020. Tal como no primeiro trimestre, o desempenho capixaba foi muito afetado pela crise sanitária e políticas de distanciamento social adotadas.

Neste texto, faremos uma análise contextual quanto um apanhado de cada setor da economia do Espírito Santo, além de comparar com a economia brasileira.

Embora o estado tenha apresentado desempenho melhor do que a média brasileira entre janeiro e março, o estado não conseguiu repetir o feito no trimestre seguinte. Enquanto o restante do país teve queda de 10,2% no nível de atividade econômica em relação ao mesmo período de 2019, o do ES caiu 11,4%. Uma diferença de valor igual à queda do primeiro trimestre: 1,2%.

Já em comparação à soma dos três meses anteriores, os resultados da economia capixaba e brasileira entre abril e junho, respectivamente, foram de: -5,9% e -9,7%.

Em suma, as causas se mantiveram semelhantes às do trimestre anterior: redução do consumo interno e externo de determinados produtos e a menor produtividade do setor industrial, decorrente às medidas de segurança impostas para proteger os trabalhadores de serem infectados pelo Coronavírus.

Com esses resultados, a estimativa do PIB nominal do estado do Espírito Santo no segundo trimestre de 2020 em valores correntes foi de R$ 30,3 bilhões. Este valor representa uma queda de 10,2% em comparação a 2019 e de 5,9% para o período de janeiro a março.

Agricultura: o melhor resultado do Espírito Santo no segundo trimestre

No segundo trimestre de 2020, as exportações do agronegócio capixaba exibiram alta de +19,3%, frente ao trimestre anterior, representando 30,4% de tudo que é exportado. Este resultado positivo se deve às exportações de café em grãos (+32,9%), vendas de celulose (+8,2%) e especiarias (+30,7%).

Em geral, este setor também foi o destaque da economia brasileira. O PIB da agropecuária do país registrou alta de 0,4% no segundo trimestre do ano, segundo dados do IBGE.  

Enquanto o café conilon apresentou queda de -10,3% em relação a 2019, o tipo arábica registrou crescimento de +33,5%, O fator se deve à à bienalidade positiva de 2020. Apesar disso, o clima está entre os principais fatores que prejudicaram as safras deste ano, com a redução de chuvas e fortes ventos.

Indústria capixaba continua em queda

Entre abril e junho, o volume de produção industrial no Espírito Santo apresentou recuo de -29,8% contra o mesmo trimestre do ano anterior. Em contrapartida, o Brasil registrou redução de -19,4%. Esse é o décimo resultado negativo consecutivo, ampliando ainda mais o ritmo de queda iniciado no primeiro trimestre de 2018 (-0,8%).

Este cenário negativo se deve à retração das atividades industriais, principalmente aos resultados registrados na Indústria Extrativa (-34,7%), seguida da Metalurgia (-36,9%), Fabricação de Produtos Alimentícios (-29,4%) e Fabricação de produtos de minerais não metálicos (-25,4%).

Por fim, as expectativas para o resto de 2020 não são animadora de acordo com o Índice de Confiança do Empresário industrial (ICEI). Este indicador busca refletir como os empresários industriais avaliam as condições atuais e as possibilidades para os próximos seis meses.

Visto que o critério de confiança depende de valores a partir dos 50 pontos, o Brasil apresentou um valor abaixo da média histórica: 41,2 pontos no último mês de junho. Embora um pouco melhor, com 42,2 pontos, o ES também segue abaixo do ideal.

Comércio e Serviços: ES com o segundo melhor resultado do Sudeste

A maior retração entre os segmentos econômicos do ES ocorreu no setor de Serviços prestados às famílias. Essa área engloba serviços alojamento e alimentação, muito afetado pelas medidas de isolamento social. Em comparação ao segundo trimestre de 2019, a queda foi de cerca de 55%. Um resultado melhor do que o Brasil que registrou -65,1%.

Já o volume de vendas do comércio varejista restrito capixaba apresentou queda de -5,1%. Enquanto isso, o restante do país sofreu com -7,6%.

No ranking das Unidades da Federação (UF’s), o ES ocupou a 10ª colocação, com 0,1%, perdendo duas posições no indicador acumulado em quatro trimestres em relação aos três primeiros meses do ano. No entanto, o estado ainda permaneceu acima da média nacional de -1,3%.  

Além disso, o Espírito Santo obteve o segundo melhor desempenho da região Sudeste, atrás apenas de Minas Gerais (+1,0%).

Em suma, o volume de vendas teve diminuição em seis dos oito segmentos investigados, na comparação com o mesmo trimestre de 2019. Entre os principais estão:

  •  Livros, jornais, revistas e papelaria com – 49,8%;
  • Combustíveis e lubrificantes com -31,3%;
  • Veículos, motocicletas, partes e peças (-30,3%)
  • Móveis e eletrodomésticos (-7,5%)

Por outro lado, o comércio de materiais de construção seguiu na direção contrária, com crescimento de 41,4%. Fato este que pode estar relacionado à permanência em casa durante a quarentena e à maior disponibilidade de tempo para fazer reformas e reparos, além do desenvolvimento do setor imobiliário a partir dos juros baixos.

Comércio exterior

O segundo trimestre de 2020 registrou as exportações do Espírito Santo caindo 19,11% no período. Assim, o resultado positivo do Brasil, com +9,05%, deve-se às vendas externas promovidas por outros estados do país.

Estados Unidos e China seguiram no topo dos destinos das exportações do Espírito Santo, com 32,59% e 19,58%, respectivamente de participação. Enquanto isso, o Brasil passou a ocupar o primeiro lugar nas importações, com 39,34% do total, com a China em segundo lugar (11,06% de participação) e Estados Unidos em terceiro lugar (7,81%).

Mercado de trabalho

Tanto em comparação ao período de janeiro a março de 2019 quanto ao trimestre anterior de 2020, a taxa de desocupação no Espírito Santo manteve-se estável estatisticamente: 12,3%; um ponto percentual abaixo da média brasileira.

Em geral, as áreas com maiores perdas de postos de trabalho representam o setor de serviços. E, considerando apenas os empregos formais, houve a perda de quase 25 mil empregos no Espírito Santo. Entre abril e junho, a queda do número de vínculos foi de -3,41% em comparação ao registrado no trimestre anterior.

Apenas a Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (+381) apresentou acréscimo no número de vínculos empregatícios.

Consequentemente, o número de capixabas requerendo seguro-desemprego no ES aumentou 34,2% em relação ao primeiro trimestre de 2020, quando os efeitos da pandemia ainda estavam no início.

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