Carteira recomendada de ações 10SIM de novembro

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A Apex Partners divulga mensalmente um resumo das teses e dos fundamentos por trás das recomendações de ações do BTG Pactual. A carteira 10SIM apresenta 10 ações selecionadas pela equipe de research do BTG, a melhor da América Latina. O objetivo da carteira recomendada é selecionar as melhores oportunidades e performances do mercado de ações, sem considerar necessariamente índices de referência ou liquidez. Ela também conta com ações bem diversificadas, resultando em menor risco.

Rentabilidade da carteira

Em outubro, a Carteira Recomendada de Ações teve uma queda de 1,1%, abaixo do Ibovespa, que caiu 0,7%. Desde outubro de 2009, quando o atual head global de análise e estratégia, Carlos Sequeira, assumiu o gerenciamento da Carteira, a rentabilidade acumulada é de 209,1%, ante 52,7% do Ibovespa.

Ainda, veja a rentabilidade de cada ação da carteira individualmente no último mês:

Cenário macroeconômico

Nos Estados Unidos ainda persistem algumas dúvidas sobre a composição do Senado americano, com os republicanos mais a frente, o que gera uma perspectiva positiva no mercado, tendo em vista o maior compromisso fiscal do partido, conforme disse Ricardo Cavalieri, Equity Analyst do BTG Pactual Digital, em live organizada pela APX Investimentos.

A volatilidade deve ser especialmente elevada em novembro devido a uma série de eventos que deve tornar o mês muito volátil para as ações no Brasil e no exterior. Entre estes fatores, a segunda onda de Covid-19 nos países europeus e as eleições municipais no Brasil.

Nesse sentido, embora as eleições municipais brasileiras possam não ser decisivas para as eleições de 2022, o processo por si só continuará a impedir o Congresso de avançar com a agenda de reformas. Esta é extremamente necessária, incluindo a decisão sobre como financiar um novo programa social.

A deterioração da situação das contas fiscais do Brasil, se não for tratada adequadamente em breve, pode manter o Real sob pressão e adicionar combustível aos primeiros sinais de aumento da inflação, o que poderia levar a uma taxa Selic mais alta mais cedo ou mais tarde. Porém, a equipe do BTG está usando como cenário base o Real em R$ 5,50 no final de 2020 (contra R$ 5,35 antes) e em R$ 5,10 ao fim de 2021.

Embora esse cenário esteja em linha com a melhora da situação das contas externas do país, a incerteza fiscal elevada e persistente pode manter o Real pressionado e impedir uma apreciação mais forte da moeda brasileira.

As preocupações com a situação das contas fiscais do Brasil permanecem consideráveis. De acordo com as estimativas revisadas da equipe macroeconômica do BTG, o déficit primário do Brasil pode atingir 11,6% do PIB em 2020 (déficit de R$ 898 bilhões) e 2,6% em 2021. Assim, aumenta-se a dívida bruta total do país para 95% do PIB este ano e 96,5% em 2021.

Ainda, a redução da dívida em relação ao PIB (embora gradualmente) o mais rápido possível é vital para mostrar aos investidores que o processo de consolidação fiscal continua sendo um pilar fundamental deste governo. Mas com as eleições municipais se aproximando e um recesso no Congresso em dezembro, é visto pouco espaço para reformas importantes serem aprovadas ainda neste ano.

A análise top-down feita assume taxas de juros reais de longo prazo de 4,18%, inflação de 2,5%, ROE de 15% e crescimento real do PIB de 2%. Ao partir dessas premissas, alcançamos um P/L alvo de 13,6x, em linha com o múltiplo P/L de 2021 do Ibovespa.

Entretanto, em um cenário em que a consolidação fiscal é buscada de forma mais agressiva, as taxas de juros reais de longo prazo poderiam ser tão baixas quanto 3% (nível pré-crise). Nesse cenário, mantendo as outras variáveis inalteradas, chegamos a um P/L alvo de 17,6x e um potencial de valorização de 30%.

Mercado de capitais em alta

Foram concluídos 25 negócios (13 IPOs + 12 Follow-Ons) no terceiro trimestre, de acordo com a B3, tornando-se o trimestre com maior número de ofertas de todos os tempos. Somente em setembro, o montante de capital levantado em IPOs foi superior ao de todo o ano de 2019.

Os dados de outubro ainda não estão disponíveis, mas espera-se que essa tendência continue. Ainda, ao contrário dos últimos anos, os estrangeiros deixaram de ser os principais investidores, visto que os institucionais e de varejo aumentam constantemente sua participação.

Covid-19: a situação está melhorando

No Brasil, a maioria dos dados indica que a pandemia está melhorando. Tanto a média móvel de 7 dias de infecções diárias, que está em aproximadamente 21,6 mil, ante 26,6 mil no mês passado, quanto o número médio de mortes diárias diminuíram (para 420, ante 711 no mês passado).

As curvas de infecção no Brasil se comportaram de forma diferente da observada na Europa. Porém, com a chegada da segunda onda na Europa e em alguns países, com níveis de infecção muito superiores aos da primeira onda, ainda não podemos eliminar o risco de uma segunda onda em algum momento no Brasil. Sem falar que as pessoas estão voltando ao trabalho e o comércio voltou a abrir, com a redução da quarentena no país.

Alterações na carteira

Neste mês, a Duratex foi substituída pela distribuidora de energia elétrica Energisa, fabricante de materiais de construção. A Duratex teve um desempenho excelente nos últimos dois meses, com alta de +20,5%, ante -5,5% do Ibovespa.

A Duratex foi retirada devido à grande alta do último mês, de cerca de 20%, podendo haver correções em novembro. Assim, esta é uma decisão mais tática, e não significa necessariamente que a Duratex não esteja bem posicionada.

Deve-se lembrar ainda que há um número limitado de ações na carteira (no caso, dez) e que, por isso, as trocas apenas sinalizam que há melhores oportunidades de mercado no momento.

Energisa (ENGI11)

A Energisa foi adicionada por ser considerada um dos ativos mais baratos sob cobertura. Isso ocorreu porque esta é uma distribuidora pura, motivo pelo qual suas ações foram muito impactadas pelo Covid-19.

No entanto, o BTG acredita que os resultados da empresa devem melhorar mais rápido do que o esperado. No entanto, os volumes estão se recuperando mais rápido do que o esperado e sua prévia operacional do terceiro trimestre mostrou que os volumes estão crescendo na comparação anual. Com as ações negociando a uma taxa interna de retorno (TIR) real de 10%, acredita-se que há um desconto excessivo em relação aos seus pares. Por fim, este é um case de maior proteção, estando em um setor mais defensivo, devido à volatilidade esperada pelo BTG em novembro, com alta incerteza.

Vale (VALE3)

O minério de ferro teve um desempenho positivo nesta crise, sem falar no desempenho dos resultados da Vale em 2020. A demanda de minério de ferro da China permanece forte (~70% do mercado transoceânico), enquanto as interrupções no que se refere à oferta proporcionaram aos mercados um déficit. Vale ressaltar que, mesmo com eventual queda nos preços do petróleo, a perspectiva positiva da casa para as ações da Vale ainda se mantém.

Nesses níveis, tudo indica que a Vale poderia entregar perto de US$ 19 bilhões de EBITDA em 2020, resultando em um FCF yield acima de 20%. Embora as ações estejam inegavelmente baratas em qualquer métrica, ainda acreditamos que a redução na percepção de risco da tese da ação será um processo gradual, com base em três pilares.

O primeiro deles é o retorno de caixa que deve gerar entradas adicionais, sendo recentemente restabelecida a política de dividendos da empresa. Além disso, deve haver uma forte recuperação nos volumes, sem falar nos custos decrescentes. Por fim, um fator essencial para que seja visualizada a melhora na percepção de risco da companhia é uma maior percepção ESG, dado o foco maior da administração no tema desde Brumadinho.

Mais especificamente sobre essa questão dos riscos de barragens, foi apontado que a empresa está desenvolvendo a segurança necessária para que não ocorram novos desastres.

Por fim, vê-se as ações negociando a ~3,5x EBITDA 2020 (35 a 40% de desconto em relação aos pares). Portanto, optou-se por mantê-la na carteira, pois ainda há um potencial de valorização, mesmo que punindo a ação por vários ângulos, segundo a análise do BTG.

Magazine Luiza (MGLU3)

O destaque da Magazine Luiza são as suas operações de e-commerce. As operações de varejo físico em si devem se recuperar gradualmente nos próximos trimestres, fazendo com que o setor de comércio online continue performando bem acima.

Nos últimos anos, a MGLU teve uma jornada impressionante, com esforços no sentido de desenvolver uma uma plataforma de e-commerce com uma ampla variedade, alto tráfego e foco em níveis de serviço. Assim, a empresa está no portfólio da carteira devido à sua boa posição. Ela possui uma estrutura organizacional forte para continuar sua trajetória de crescimento acima do mercado, estando incluso seu forte desempenho no 3° trimestre.

A análise é de que há fortes perspectivas de crescimento no curto prazo e pilares estruturais para que esta continue desempenhando bem no longo prazo.

Assim, apesar de ter um valuation caro, sendo negociada a 2,6x EV/GMV 2021, ainda são vistas fortes perspectivas de crescimento no curto prazo e sólidos pilares estruturais no longo prazo.

Petrobras (PETR4)

A Petrobras está na carteira recomendada do BTG desde o início da pandemia. Isso tendo em vista fatores como a sua resiliência de longo prazo, mesmo sob um ‘novo normal’ para os preços do petróleo.

As perspectivas para o ritmo de recuperação do preço do petróleo permanecem conservadoras. Entretanto, o foco da petroleira está em projetos de alto retorno na área do pré-sal, devendo ser capaz de reduzir o ponto de equilíbrio do petróleo abaixo de $30/bbl, o que abre caminho para lucros sustentáveis a longo prazo.

As ações da empresa obtiveram um desempenho inferior ao do petróleo em praticamente todos os períodos desde o início do Covid. Isso pode ser parcialmente explicado pela desaceleração no seu ritmo de desalavancagem devido à pandemia. 

Dito isso, como os riscos legais envolvendo a privatização de refinarias são agora muito menores, é esperado que esse desconto diminua à medida que a empresa continue entregando melhorias operacionais e consiga finalizar a venda das refinarias.

Sob a curva de preço do petróleo atual, vê-se as ações sendo negociadas com um atraente FCFE yield de 24%, o que não é condizente com em uma história de alta convicção de desalavancagem e redução de riscos.

Em última análise, a análise é de que os investidores não estão dispostos a pagar por esse fluxo de caixa até que haja maior visibilidade do que finalmente será pago aos acionistas. Depois de adicionar mais flexibilidade à sua política de dividendos, e com a dívida bruta já em US$ 80 bilhões, realmente achamos que a Petrobras pode acelerar os dividendos mais cedo do que o esperado. Portanto, eles vêem a petroleira como a história de proposição de valor mais assimétrica dentro do universo de empresas que cobrem.

Gerdau (GGBR4)

A Gerdau permaneceu neste mês devido à questões como seu forte crescimento de receita, sua baixa alavancagem, a geração de fluxo de caixa livre (FCF), pouca exposição cambial e sua exposição ao setor imobiliário.

A análise da casa aponta para um aumento da força estrutural dos mercados imobiliários no Brasil. Por isso, espera-se que a demanda por aços longos, fabricados pela Gerdau, continue desempenhando melhor. Além disso, a empresa está bem posicionada para repassar aumentos de preços e superar as expectativas, além de estar bem alocada no segmento de varejo de construção, que se encontra em expansão.

Também acreditamos que há um potencial positivo de expandir a lucratividade nos Estados Unidos, mas as expectativas continuam baixas. Embora a ação não esteja barata com base em 2021, é visualizado um crescimento de vários anos à frente e a melhor história bottom-up do setor. A Gerdau é negociada a 6,3x o EBITDA de 2021, um pouco abaixo de seu múltiplo normalizado.

CCR (CCRO3)

A CCRO3 é hoje a Top Pick de transporte da carteira, estando bem posicionada no setor. Isso porque seu modelo de negócios é defensivo, o fez com que esta se mostrasse resiliente durante a crise, sem falar na já demonstrada recuperação do tráfego em setembro. Já no cenário de longo prazo do setor, o Brasil enfrenta uma lacuna de infraestrutura e o pipeline de concessão deve ser retomado. Nesse cenário, é esperado que ela se beneficie de um ambiente menos competitivo, tendo em vista a pressão financeira enfrentada pela maioria de seus pares diretos.

Além disso, potencial anúncio de reequilíbrio de contrato deve se tornar um evento positivo no setor, removendo ameaças antigas sobre as ações da CCR. Na análise preliminar do BTG, os desequilíbrios podem adicionar R$ 6,0/ação ao preço-alvo atual.

Esse reequilíbrio contratual é visto atingindo seus estágios finais dentro do governo do estado de SP, com a criação de um comitê especial com o governo para discutir todos os seus reequilíbrios pendentes de uma só vez. Isso, por sua vez, cria uma perspectiva positiva sobre o assunto para todo o setor.

Por fim, seus níveis de são valuation atraentes, negociando a uma TIR real de 8,6%.

TIM (TIMP3)

O setor de telecomunicações em geral deve superar a média do mercado neste momento, visto que seu modelo de negócios é mais resiliente, com forte geração de fluxo de caixa.

Além disso, a TIM está negociando com um valuation muito atraente, em 3,9x EV/EBITDA 2021E (vs. pares globais em 6x), embora o setor no Brasil esteja passando por uma transformação saudável.

No caso da TIM, o BTG avalia que há um interessante potencial de valorização com uma possível transação de M&A envolvendo a Oi Mobile. Dessa forma, caso a venda da divisão móvel da Oi por R$ 16,5 bilhões seja confirmada, o BTG estima que pode-se chegar a um aumento do preço-alvo de R$ 3,50 por ação, que somadas ao preço-alvo por eles estimado de R$ 16,50, resultam em R$ 20,00 por ação, com um potencial de valorização de quase 70%.

Ainda vale lembrar que as empresas mais descontadas da carteira são as do setor de telecomunicação.

Oi S.A. (OIBR3)

Depois da aprovação do plano de reestruturação revisado da Oi em uma assembleia geral de credores em 8 de setembro, a tese de investimentos no papel foi reavaliada e o preço-alvo revisado.

A administração está executando perfeitamente o plano de recuperação. Um dos ativos que vai ser vendido é a InfraCo (empresa de fibra da Oi). Já o processo de due diligence que está sendo realizado pelos potenciais compradores deve terminar em novembro. A expectativa da empresa é que lances firmes sejam feitos até o final do ano e que o leilão aconteça no primeiro trimestre de 2021, o que pode ser um gatilho.

Como resultado imediato da revisão do plano aprovado, o caso de investimento da Oi está muito menos arriscado, levando em conta que agora está autorizada a venda de ativos que podem levantar R$ 24 bilhões em caixa para a empresa. Esse valor poderia ser usado para pagar dívidas e fornecer o capital necessário para investir em sua estratégia focada em fibra.

Dessa forma, o novo preço-alvo é de R$ 2,80 por ação, indicando um potencial de valorização de 81%.

B3 (B3SA3)

Depois de atingir quase R$ 70 por ação em julho, a ação caiu 23% em relação a sua máxima histórica, refletindo alguns fatores avaliados pelo BTG.

O primeiro deles é o volume de transações em ações na B3 perdendo fôlego, com os investidores de varejo (os principais responsáveis pela alta dos volumes) desacelerando na margem. Outro fator é o maior risco macro/político. Além disso, a divisão de Concorrência do Ministério da Economia divulgou um comunicado defendendo a internalização das ordens no Brasil com vista no aumento da concorrência. Por fim, players nos Estados Unidos estão exigindo mais concorrência para reduzir as taxas da bolsa, principalmente o market data.

Entretanto, após o alto volume de vendas no papel, a avaliação é de que há um potencial de valorização considerável para as ações da B3.

De maneira geral, ainda, para se manter hegemônica no mercado, a B3 possui boas estratégias de alocações e evoluções em seus produtos, também dispondo de uma movimentação do mercado cada vez mais intensa.

Como resultado, B3 tem sido uma das Top Picks do BTG e, portanto, merecidamente mantém seu lugar no portfólio por mais um mês.

Cyrela (CYRE3)

Apesar do cenário ainda incerto, a Cyrela, incorporadora e construtora de imóveis, deve surfar a onda da recuperação do setor habitacional, pois está bem posicionada, sem falar nas condições macroeconômicas que favorecem o setor no momento.

A empresa divulgou um forte resultado operacional no terceiro trimestre deste ano, com lançamentos em alta de 46% a/a e vendas subindo 58% a/a. Houve ganhos com o IPO das suas subsidiárias (Lavvi, Plano&Plano e Cury), o que traz a expectativa por um excelente lucro e geração de caixa.

Mesmo com a crise do coronavírus, há uma recuperação rápida das vendas de imóveis domiciliares no segmento de renda média/alta. Na opinião dos analistas do BTG, isso é impulsionado, principalmente, pelas taxas de hipoteca mais baixas de todos os tempos (os bancos continuam anunciando novos cortes nas taxas de hipoteca, como foi o caso do Santander e Itaú).

Mais especificamente, a avaliação do BTG é que a Cyrela está muito bem posicionada para aproveitar esse momento porque detém marcas diferentes que atendem a todos os segmentos de renda. Assim, mesmo beneficiando-se da recuperação das vendas de imóveis e voltando a realizar lançamentos, a empresa ainda negocia a um valuation atraente.

Disclaimer: Esta apresentação tem como único propósito fornecer informações e não constitui ou deve ser interpretada como uma oferta, solicitação ou recomendação de compra ou venda de qualquer instrumento financeiro ou de participação em qualquer estratégia de negócio específica. Essa apresentação é um documento de cunho meramente informativo, não configurando análise de valores mobiliários nos termos da Instrução CVM Nº 598, e não tendo como objetivo a consultoria, oferta, solicitação de oferta e/ou recomendação para a compra ou venda de qualquer investimento e/ou produto específico.

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