Conter o risco fiscal e cortar gastos: o setor privado faz, mas o público não

Conter risco fiscal

Há algumas semanas atrás conversava com um diretor de uma empresa de TI que vendia um programa que ajuda empresas a gerenciar projetos e a reduzir custos. Ele dizia não entender porque várias empresas cortaram as compras deste programa para 2020, que iria gerar, nos próximos anos, corte de despesas várias vezes o que ele custava. Em suas palavras, o programa se pagava várias vezes nos próximos anos.

O problema era que, para o programa se pagar, a empresa onde ele era instalado não poderia falir. Devido a isto, muitas empresas, sem acesso ao crédito, protegeram seu caixa durante o fechamento da economia e cancelaram a compra do programa. Ou seja, gestores têm que ordenar suas prioridades para fazer a empresa sobreviver e crescer.

Este parece ser exatamente o problema do governo federal, ou seja, não ter prioridades ou não querer tomar medidas que afetem os privilégios de Brasília.

O governo possui gastos, déficit e dívida elevados. Além disso, o gasto elevado está fora de controle, crescendo automaticamente. O governo deveria priorizar medidas que permitissem cortar e controlar estes gastos, de forma a conter o risco fiscal.

O setor público precisa conter o risco fiscal e cortar gastos

Para tanto, duas reformas hoje no congresso deveriam ter sua votação priorizadas pelo governo, a PEC Emergencial (PEC 186) e a reforma administrativa. Mas o governo prefere discutir navegação de cabotagem, Casa Verde e Amarela, entre outros.

Desregular e incentivar a navegação de cabotagem, reduzindo custo de transporte é importante. Entretanto, o transporte de bens e pessoas é bem vindo em uma economia forte e em expansão. Uma crise fiscal pode gerar recessão e desorganização da economia, como pode ser visto na Argentina de Macri.

Evitar aumentar o risco fiscal ou risco de solvência do governo deveria ser prioridade do governo. Em particular, quando vários sinais indicam elevação do risco fiscal: aumento do dólar e de sua volatilidade, aumento dos juros futuros, entre outros.

Após dois anos no poder, a incapacidade ou a falta de vontade do governo em atacar o desequilíbrio das contas públicas começa a preocupar. A reforma da previdência foi importante, mas não é suficiente. É necessário cortar gastos.
Enquanto nada for feito em 2020, os desequilíbrios e a dívida do setor público aumentam, podendo levar à interrupção da valorização das empresas e à recuperação da economia brasileira. A Argentina é um bom exemplo para observar, em caso de dúvida.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *