2º Encontro Folha Business: o que aconteceu de mais importante

2° Encontro Folha Business

Nesta última segunda (14) a Apex Partners, em parceria com a Folha Vitória, promoveu o 2º Encontro Folha Business. O evento contou com três painéis, que abordaram desafios e perspectivas para o Espírito Santo e para o Brasil.

Eles trataram sobre o cenário político no país, uma análise econômica do momento atual com foco em investimentos e em soluções de infraestrutura.

O chairman da Apex Fernando Cinelli abriu o evento explicando seu objetivo: “Debater ideias e soluções para o desenvolvimento econômico a partir da iniciativa privada que, em conjunto com os órgãos competentes, sejam capazes de empreender e executar projetos que transformem o Espírito Santo em um exemplo para o Brasil, de liderança, compromisso e responsabilidade”.

Rogério Marinho anuncia investimentos no Espírito Santo e fala de reformas

Em painel mediado pelo deputado federal Felipe Rigoni no Encontro Folha Business, o Ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, anunciou investimento de R$ 21 Milhões para a construção de obras de saneamento no estado e liberação de R$ 4,1 Milhões da Defesa Civil para a melhoria da infraestrutura de Iconha.

O ministro evidenciou a necessidade de oferecer moradia aos cidadãos. Outrossim, ressaltou a aprovação no Congresso do programa Casa Verde e Amarela, que substituiu o Minha Casa, Minha Vida. Assim, a política reduz o custo por casa, estabelecendo ainda um plano de regularização fundiária.

Além disso, o ministro ressaltou a importância da aprovação do Marco do Saneamento. Este que pretende qualificar os prestadores de serviço do setor e incentivar o potencial brasileiro para alcançar o pleno saneamento até 2033. “Enquanto o governo federal investe cerca de R$ 5 bilhões por ano, com o Novo Marco do Saneamento, a iniciativa privada fará mais de R$ 60 bilhões. Tudo porque a medida proporcionou segurança jurídica, previsibilidade, proteção do cidadão e do contribuinte. É esse o caminho”, afirmou.

Ele criticou as obras paradas no país, as definindo como “desperdício de dinheiro público”. Além disso, garantiu esforços do governo federal para reativar mais de 6 mil obras.

Marinho defendeu ainda gastos públicos diante da pandemia para a população mais vulnerável, que terá dificuldades em conseguir espaço no mercado de trabalho. “Essas pessoas estão no final da fila, e precisam da solidariedade do povo brasileiro’’.

Por fim, o ministro falou da agenda de reformas estruturais que o país vem aprovando desde 2016, tendo participado ativamente na reforma trabalhista como deputado federal e relator na Câmara e da reforma da previdência, como articulador e Secretário Especial de Previdência e Trabalho. “Temos expectativa de que tenhamos novidades no primeiro semestre de 2021”, afirmou.

Luiz Parreiras sobre o desempenho das bolsas no ano

O segundo painel do Encontro Folha Business foi mediado por Ricardo Frizzera e contou com a participação de Luiz Parreiras, sócio e gestor da Verde Asset.

Inicialmente, a conversa se desenvolveu no sentido da discussão sobre onde alocar os investimentos ao longo da pandemia, além das mudanças do fluxo de capital no pós-crise. Segundo Parreiras, o choque no mercado gerado pela Covid-19 forçou investidores a buscar mercados mais seguros. Em exemplo é o mercado americano, que teve capacidade de protagonizar um estímulo fiscal entre 20% e 30% do Produto Interno Bruto (PIB).

Além das medidas adotadas no Brasil, a desvalorização da bolsa brasileira em dólar a tornou mais barata e atraente para investidores gringos. Por fim, isso permitiu o retorno de parte do capital que tinha deixado o país no primeiro semestre a partir de novembro.

Perspectivas para o dólar

Projetar o câmbio é uma das tarefas mais difíceis do mercado porque há muitos fatores de influência, havendo diferentes teses aplicáveis. Inclusive, não há consenso nem mesmo entre a Verde Asset. O CEO e CIO da organização, Luis Stuhlberger, diverge de Luiz Parreiras.

Contudo, a tese de Parreiras parte da premissa de que o modelo de desenvolvimento que o Brasil foi ancorado entre os anos 1980 e início dos anos 2010 (de crescimento de gastos públicos e juros altos) acabou em 2014.

“As reformas aprovadas a partir de 2016 (Teto de Gastos, fim da TJLP e reforma da previdência) funcionaram como um freio fiscal, permitindo uma espécie de acelerador monetário: sobrou espaço para a política monetária trabalhar com uma taxa de juros menor”, explicou. “Talvez não seja sustentável a Selic atual de 2%, mas pensar que ela ficará entre 3% e 4% é natural, desde que o Brasil não faça bobagem no lado fiscal, isto é, que o déficit fiscal aumente”, alertou.

No entanto, Parreiras explica que esse novo modelo de desenvolvimento fará o Real se manter desvalorizado. “Embora essa taxa de juros ainda seja mais alta que o resto do mundo, não é tão maior do que a verificada historicamente no país. A realidade de 2018 (desvalorização do Real), veio para ficar.

Brasil e os gastos no combate à pandemia

Parreiras lembrou o fato do endividamento brasileiro ter aumentado muito este ano em virtude dos gastos no combate à pandemia. “O Brasil foi o país emergente que mais lançou mão de despesas na pandemia. Gastamos como se fôssemos um país rico, mas não somos. Isso deixou um legado de endividamento muito alto e esse legado de dívida alta é perigoso, especialmente se não continuarmos a agenda de reformas e não fizermos o que precisa ser feito”.

O Brasil deve terminar o ano com dívida pública próxima a 100% do PIB. Em 2014, primeiro ano de abandono da política de superávits fiscais,  a dívida era de cerca de 50% do PIB, semelhante a de outros emergentes.

“Não acho que a trajetória da dívida no Brasil esteja em um patamar irreversível, mas não dá para tratar como se estivesse tudo bem”, concluiu.

Perspectivas sobre commodities

Parreiras também afirmou no Encontro Folha Business que acredita que teremos um período em que os preços das commodities subirão nos próximos anos. Entretanto, será de forma diferente do ciclo entre 2003 e 2012.

“Estamos vivendo uma nova realidade, onde os aspectos ambientais de qualquer investimento vão ser muito cruciais. A capacidade de investimentos que tem um aspecto ambiental sério, a capacidade desse tipo de setor atrair muito capital é baixa. Ninguém quer investir em um projeto que pode gerar problemas ambientais”, explicou. 

Tecnologia no atual momento

Quando questionado sobre o impacto da tecnologia no mercado nacional, Luiz Parreiras explicou que, antes do advento tecnológico amplo como o atual, era fácil manter oligopólios. Isso porque as novas empresas lidavam com duas barreiras intransponíveis: a regulação estatal e a falta de acesso ao mercado de capitais.

Atualmente, com a tecnologia disponível e a taxa de juros reduzida, a burocracia pode ser reduzida e o acesso ao capital torna-se possível. É mais fácil abrir uma conta em um banco. Isso tendo em vista que grande parte dos processos públicos são digitalizados e a internet torna processos antes complexos e demorados, céleres.

Assim, Parreiras faz uma analogia: a guerra dos incipientes contra os incumbentes. As novas empresas (incipientes) travam uma batalha por meio de softwares tecnológicos contra os exércitos bem equipados – porém lentos – das grandes empresas (incumbentes). 

Necessidade de desenvolvimento industrial

Parreiras explicou que o desenvolvimento industrial é condição necessária, mas não suficiente para a prosperidade de um país. “Mas não pode ser feito de qualquer jeito. Não é possível desenvolver a indústria com os incentivos errados, como nos anos 1970, em que apostava-se apenas em estímulos e subsídios. Quando o subsídio acaba, se o negócio não é produtivo e competitivo, não sobrevive”, afirmou.

O gestor da Verde Asset explicou ainda que o modelo anterior de acelerador fiscal (gastos governamentais crescentes) com freio monetário (juro altos) não permitia o desenvolvimento da indústria brasileira.

Perspectivas de investimentos em infraestrutura

No terceiro painel do Encontro Folha Business, o debate foi com Renato Mazolla, sócio e Head da Equipe de Infraestrutura do BTG Pactual, e Márcio Felix, CEO da EnP Energy, sendo mediado por Alexandre Borborema, Head de finanças corporativas da Apex Partners.

Mazolla visualiza um futuro bem encaminhado para o segmento de infraestrutura no país. Reiterou a importância do investimento em infraestrutura para o desenvolvimento econômico e humano da população, e fez análises sobre o papel da iniciativa privada, que pode usufruir atualmente de uma melhor rentabilidade em longo prazo em decorrência de reduções em taxas de juros e melhoria de marcos regulatórios. Ele comparou o atual momento com o período em que o BNDES se apresentava como única opção de investimentos.

Ele também elogiou o incentivo às debêntures, e recomendou que os empresários devem, primordialmente, apresentar um projeto robusto e com clareza, além de comprovar as formas de pagamento que vislumbram para atrair investidores.

O analista do BTG destacou a necessidade de sócios capitalistas para o desenvolvimento de empresas de middle market (médio porte). Isto é, o poder do equity para aumento do porte das empresas.

Por fim, Mazzola avaliou como positivo o cenário de Fundos de Investimentos em Participação (FIPs), que são listados em bolsa, em virtude de seu retorno positivoe em comparação às alternativas dos setores. Dessa forma, definiu o momento de investimentos em projetos de infraestrutura no país como “um ambiente ‘’fantástico”.

Perspectivas em óleo e gás

Márcio Felix falou da atuação da EnP Energy e destacou que ao analisar em conjunto de possibilidades de óleo e gás no Brasil juntamente com sócios e parceiros, foi concluído que ‘’o território com mais oportunidades por metro quadrado é o Espírito Santo’’.

Além disso, sobre sua empresa, destacou que, mesmo lançada em março, à beira do início do agravamento da pandemia no Brasil, conseguiu “produzir e adentrar um ecossistema sustentável e atraente”.

Márcio lembrou, ainda, do destaque da indústria ‘’4.0’’ e as ferramentas digitais, que contribuem na extração de valor que o momento oportunizou. Por fim, demonstrou otimismo com o setor e com o Brasil como um todo.

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