Tentativas de burlar o teto: sinais do mercado

Burlar o teto

Desde agosto de 2020, os investidores têm enviado sinais claros de que o déficit e a dívida pública estão no limite e precisam cair para reduzir o risco fiscal, ou seja, o risco de solvência do governo federal. Essa atitude mostra como o mercado entende ser inaceitável tentativas irresponsáveis, como a de burlar o teto.

Assim, entre agosto e outubro, quando o governo começou a discutir propostas de aumento de gastos que viriam a burlar o teto, o mercado financeiro brasileiro teve um aumento na volatilidade, descolou dos mercados mundiais e viu como consequência a queda do valor das empresas, a desvalorização do real e o aumento dos juros futuros.

Em novembro, parecia ter chegado ao fim este período de desconfiança em relação ao governo brasileiro. Primeiro, propostas de aumento de gastos pararam de ser debatidas devido as eleições municipais. Além disso, com o anúncio do desenvolvimento das vacinas e a queda do risco internacional, as empresas domésticas e o real retomaram a valorização. Mas o risco fiscal não caiu e os investidores estão atentos.

A mensagem era clara. Se o governo tentar manter os níveis atuais de gastos, vai aumentar o risco Brasil e desvalorizar as empresas e a moeda doméstica.

Resultado da tentativa de burlar o teto

O sinal claro foi dado no início de dezembro. Chegou a informação de que o relator da PEC Emergencial (PEC 186) pretendia tirar algumas despesas do cálculo do teto dos gastos.

A reação dos investidores foi rápida, levando o Ibovespa a cair, o real a desvalorizar e os juros futuros a subirem. Mais uma vez, os investidores passaram a mensagem.

Como solucionar o problema

O governo tem que fazer seu dever de casa. Assim, deve provar reformas que permitam o corte e o controle dos gastos que estão em níveis incompatíveis com a capacidade de pagamento do governo, ou seja, com o nível de renda per capita do Brasil.

O governo federal não parece entender a situação, visto que perdeu 2020 evitando enfrentar o problema principal do país. Ou seja, o excesso de gastos públicos e tributação, os quais geram riscos e custos para as empresas.

Se perder mais um ano, pode entrar em 2022 com uma crise fiscal em andamento, o pais em recessão, o dólar disparando e o valor das empresa em queda. Basta olhar a Argentina para ver as consequências que este ambiente econômico pode gerar.

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