Radar do mercado imobiliário de dezembro de 2020

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Resumo dos principais direcionadores: (I) Em decisão unânime, Copom mantém Selic em 2,00% ao ano; (II) Financiamentos imobiliários renovam recorde histórico; (III) Construção civil cria 36 mil empregos em outubro, 9% do total de vagas criadas no país; (IV) Índices de confiança recuperam 89% das perdas durante a pandemia; (V) Vitória mantém mercado imobiliário aquecido.

Em decisão unânime, Copom mantém Selic em 2,00% ao ano

[Fonte: Valor Investe, Banco Central – Acesso em 11/12/2020]

Seguindo a orientação do Forward Guidance, o Copom mantém a taxa básica de juros (Selic) em 2,00% ao ano. A taxa está estacionada nesse patamar desde agosto de 2020 e ficará em vigor pelos próximos 45 dias, quando acontece a nova reunião do Comitê de Política Monetária.

Análise APEX: A taxa de juros tem sido o principal direcionador do mercado imobiliário em 2020. Com taxas em níveis historicamente baixos, os financiamentos imobiliários se tornaram mais baratos e, comprar um imóvel, mais atrativo.
A redução e a manutenção da Selic aumentou o número de famílias elegíveis ao financiamento imobiliário visto que, com taxas mais baixas, o montante investido é utilizado para pagar menos juros e mais parte do ativo.
Da mesma forma, famílias com maior poder aquisitivo passaram a ser elegíveis a financiamentos imobiliários ainda mais expressivos, impulsionando a demanda potencial por imóveis.
Já é possível visualizar os resultados dessa política monetária, visto que muitas cidades do Brasil consolidam os melhores meses de venda dos últimos anos, no meio da pandemia.  

Financiamentos imobiliários renovam recorde histórico

[Fonte: ABECIP, Banco Central – Acesso Em 11/12/2020]

Os financiamentos imobiliários com recursos da caderneta de poupança (SBPE) atingiram R$13,8 bilhões no mês de outubro, consolidando um novo recorde de volume de investimentos concedidos desde o início da série histórica (julho/1994). O valor é 7,4% maior do que o valor visualizado em setembro e 84% maior quando comparado ao volume de financiamentos de setembro de 2019.

Análise APEX: Seguindo a taxa básica de juros, os bancos começaram a competir para disponibilizar a melhor taxa para os clientes. Isso ocasionou uma redução dos juros para financiamento imobiliário e, a combinação dos juros baixos, da perspectiva de aquecimento do mercado e de valorização imobiliária consolidou mais um recorde no volume de financiamentos deste tipo.
Esse é mais um indicador de que o mercado imobiliário está se recuperando de forma forte e sustentável, visto que o saldo da caderneta de poupança também está em níveis recordes, sustentando o estoque e a oferta de crédito no médio prazo.  

Construção civil cria 36 mil empregos em outubro, 9% do total de vagas criadas no país

[Fonte: Abrainc, CAGED – Acesso em 12/11/2020]

De acordo com a pesquisa feita pela ABRAINC, com base nas informações divulgadas pelo CAGED no dia 26/11/2020, o setor da Construção Civil criou 36.296 empregos em outubro, número que representa 9% do total de vagas criadas no país durante este período (394.989). Ainda com a pandemia, o saldo de 2020 é positivo para os empregos do setor (+138.409), enquanto o Brasil perdeu 171.139 vagas em 2020.

Análise APEX: A construção civil está sendo um dos setores mais resilientes durante a pandemia e está impulsionando a retomada econômica do país, seja pela geração de empregos, seja pelo investimento e desenvolvimento das áreas nas quais os empreendimentos imobiliários estão sendo estruturados e as obras estão sendo construídas.
O saldo positivo na geração de empregos mostra que o setor está aquecido e que as grandes empresas estão se preparando para mais uma fase de muitas vendas e novos lançamentos que estavam reprimidos nos últimos anos.  

Índices de confiança recuperam 89% das perdas durante a pandemia

[Fonte: FGV, IBRE – Acesso em 11/12/2020]

Segundo a sondagem mensal realizada pela Fundação Getúlio Vargas (FGV/IBRE), os níveis de confiança (Empresarial, Consumidor e Construção Civil) recuperaram 89% das perdas sofridas durante a pandemia. Segundo o estudo, os valores já se aproximam dos 100 pontos novamente, com exceção do índice de confiança do consumidor que ainda mostra uma recuperação mais lenta.

Análise APEX: A retomada dos índices de confiança é fator fundamental e evidencia que os empresários estão com uma perspectiva positiva para o mercado brasileiro como um todo. Quanto mais confiantes, maior é a propensão das pessoas para consumir ou investir e, para investimentos em ativos com alto valor agregado (exemplo do imóvel), a confiança das partes interessadas é fundamental para o aquecimento e propulsão das movimentações de mercado.  

Vitória mantém mercado imobiliário aquecido

[Fonte: Research Apex – Informações consolidadas para Outubro/20]

Segundo a pesquisa mensal realizada pelo setor de Real Estate da Apex Partners, a cidade de Vitória/ES fecha o 3º mês consecutivo acima das 100 vendas de unidades em estoque primário. O mês de outubro consolidou 126 vendas e a média móvel (3m) do IVV dos empreendimentos estudados evoluiu para 5,76%, representando um giro de estoque próximo a 20 meses.

Além disso, houve o lançamento de dois novos empreendimentos na capital, que consolidam uma base de 57 empreendimentos acompanhados todos os meses.

Outra informação relevante é que, os lançamentos impulsionam fortemente o número das vendas logo quando são lançados. Dessa forma, para melhor compreensão do desempenho da cidade, a Apex considera também uma base que conta com apenas os empreendimentos recorrentes (com mais de quatro meses lançados no mercado). Para essa base, também se nota um crescimento no volume das vendas durante 2020.

Os empreendimentos imobiliários gerenciados pela Apex também tiveram forte desempenho no mês de outubro, fato que posicionou a empresa com um share de 21% das vendas para os empreendimentos recorrentes e 10% para o total de empreendimentos.

Com o grande desafio de identificar, catalogar, organizar e acompanhar as informações e os indicadores do mercado imobiliário, a Apex desenvolveu a ferramenta visual “Radar de Mercado”, seguindo a metodologia aplicada pela Abrainc/Fipe.

O grande volume de informações em meio a um cenário econômico conturbado produz uma série de incertezas que podem afetar negativamente a tomada de decisão dos agentes econômicos interessados.

Dessa forma, a ferramenta visual permite leitura ágil das condições do mercado imobiliário para auxiliar o entendimento e a tomada de decisões de investimentos no setor.

Para resumir os resultados visualizados no último mês, temos novamente os juros e as condições de financiamento puxando positivamente o desempenho do mercado. Em seguida, temos o consequente aquecimento do mercado que, com novas vendas e lançamentos observados, tem colaborado para consolidar seu bom desempenho.

Os níveis de confiança estão em processo de retomada, mas ainda estão abaixo dos melhores índices já observados na série histórica. A massa salarial, a atividade econômica, os insumos e o emprego são os indicadores que estão impactando negativamente a performance do mercado. Porém, a perspectiva é de que, nos próximos meses, haja uma melhora nesses quatro indicadores de desempenho.

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