Mais concentração no setor de telefonia

Concentração no setor de telefonia

Os Estados Unidos estão apertando o cerco contra grandes empresas de tecnologia, como Facebook e Alphabet (Google), tentando reduzir a concentração de mercado das empresas. Mas o Brasil continua indo na contramão, aumentando a concentração no setor de telefonia.

Alguns dias atrás, a telefonia móvel da Oi foi arrematada por um consórcio formado por Claro, Tim/Telefônica e Vivo. Em síntese, as três empresas do setor uniram-se em um consórcio e compraram a área de telefonia da outra participante do mercado, podendo gerar forte concentração no setor de telefonia e reduzir a competição.

Como sempre ocorre nestes casos, a primeira justificativa é fazer paralelo com os países da OCDE. Assim, um dos argumentos usados é que nestes países também está havendo concentração do mercado.

Possíveis consequências da maior concentração no setor de telefonia

Sem querer questionar estes dados, temos que levantar alguns pontos. Primeiro, e mais importante, não foi uma das grandes empresas do mercado que comprou o Oi para continuar a competir com as outas duas. Foi um consórcio formado por três empresas que comprou a Oi. Obviamente, o dano à competição é muito maior.

Além disso, existia um outro interessado, que fez uma oferta de compra da Oi. Mas o consórcio cobriu a oferta. Isso porque o valor da Oi em um mercado com menor concorrência é maior.

Na verdade, deveríamos ter buscado interessados fora da indústria, visando manter o número de empresas e a concorrência no setor. Em caso de ausência de novos entrantes, poderia ser analisada a participação individual das atuais empresas no leilão. Permitir que as empresas atuais formassem um consórcio é um toque adicional para reduzir a competição.

Felizmente, a oferta feita pelas três empresas juntas ainda precisa de ser aprovado pelo CADE/Anatel. Vamos ver se o sistema de defesa da concorrência vai bloquear esta compra. Está na hora de começarmos a aprender a proteger a concorrência e garantir seus benefícios ao consumidor brasileiro.

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