Nível de endividamento é encarado de acordo com credibilidade do país

Nível de endividamento

Recentemente foi veiculada a defesa de que o governo brasileiro deveria ter gastado mais durante a crise de 2020, pois não haveria problemas em elevar a relação dívida/PIB. Mas esse nível de endividamento possui efeitos diversos a depender do país de que se está tratando.

Olhando esta relação para outros países, alguns podem se ver tentados a concordar com esta posição. Por exemplo, nos EUA a relação dívida/PIB está acima de 1 ou 100%, enquanto no Japão está acima de 2 ou 200%.

É claro que este indicador está elevado nos EUA e no Japão, trazendo risco à economia mundial, mas não é o objetivo analisar esse ponto. O que queremos analisar aqui é que o governo destes países está muito endividado. Entretanto, não há discussões em relação à cortar os gastos e o déficit públicos em 2020.

Para entender isso, devemos começar lembrando a nota soberana destes países. Japão e EUA possuem “grau de investimento”, ou seja, os investidores não questionam sua capacidade de pagamento.

Em outras palavras, os investidores acreditam que a despeito do alto endividamento, os governos de Japão e EUA têm condições de fazer ajustes e honrar suas dívidas.

Nível de endividamento no Brasil

O Brasil não possui nota de bom pagador. A despeito de ter uma relação dívida/PIB menor que dos EUA e Japão, o mercado percebe uma menor capacidade de pagamento do governo brasileiro.

As razões para esta percepção do mercado vêm de comportamentos do Brasil ao longo das décadas. Este comportamento mostra a incapacidade das instituições em conseguirem se ajustar quando necessário. Isso porque são bloqueadas por fortes grupos de interesses. Por exemplo, o Brasil manteve uma inflação elevadíssima por décadas, mantém empresas estatais deficitárias e ineficientes e foi incapaz de reformar sua previdência pública a despeito do elevado déficit, entre outros.

Caso o governo brasileiro queira fazer parte do grupo de países com credibilidade, primeiro deve mostrar que tem capacidade de arcar com seus compromissos, fazendo ajustes/reformas quando necessário.

A tentativa de alterar esta lógica, gastando quando não pode, mostra apenas que não tem condições de fazer parte do grupo de bons pagadores.

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