Dívida e instabilidade em países sem grau de investimento

Países sem grau de investimento

A pressão de alguns grupos para o Brasil estender os atuais níveis de gastos e déficits para 2021 desconsidera os riscos e a instabilidade que esta política pode gerar, sendo que é um dos países sem grau de investimento.

Países como o Brasil, que não possuem grau de investimento, podem tentar manter um déficit elevado e uma relação dívida/PIB crescente. Porém, esta política tende a elevar a instabilidade interna. Não ter grau de investimento implica que o mercado não considera o país um bom pagador ou com capacidade de ajuste para arcar com suas dívidas.

Portanto, qualquer incerteza ou choque no mercado internacional gera realocação de recursos. Esse movimento se dá de mercados instáveis ou vulneráveis, como o Brasil, para mercados maduros ou estáveis, como os EUA. Assim, caso o governo mantenha dívida e déficits elevados, esta realocação de recursos tende a gerar instabilidade cambial e inviabilizar o financiamento dos governos.

Exemplos destes movimentos podem ser encontrados no Brasil em 1999 ou na Argentina no governo Macri. Com déficits elevados, em momentos de instabilidade internacional, estes governos foram incapazes de se financiar. Com isso, houve saída de capital estrangeiro, desvalorização da moeda doméstica, inflação e recessão.

O que deve ser feito

Se os governos dos países sem selo de bom pagador querem aumentar a capacidade de endividamento, primeiro devem fazer reformas. Além disso, ajustar suas contas e mostrar capacidade de pagamento. Depois de certo tempo, e de ser reconhecido como bom pagador, estes o governos podem tentar manter déficits, como vários vêm fazendo em 2020.

Foi o que o Brasil fez, em fins do século passado e nos primeiro cinco anos deste século, quando ganhou o grau de investimento. Mas este não é o Brasil de hoje.

A tentativa de alterar esta lógica, gastando mais em 2021 quando não há mais capacidade, mostra apenas que o Brasil não tem condições de fazer parte do grupo de países que tem grau de investimento. Além disso, mostra os riscos, se não houver corte dos gastos do setor público, à capacidade de endividamento do governo brasileiro.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *