Reformas em 2020 deram lugar à incerteza e instabilidade

Reformas em 2020

Em fins de 2019 e início de 2020, as expectativas de crescimento e avanço das reformas econômicas dominavam o cenário no Brasil. A previdência tinha acabado de ser aprovada. As Propostas de Emenda Constitucional (PECs) 186, 187 e 188 haviam sido enviadas ao Congresso e o governo prometia, para breve, o envio da reforma administrativa, sinalizando o objetivo de corte, controle e racionalização dos gastos públicos ao longo do ano de 2020.

Infelizmente, a pandemia gerou um ambiente propício para que as reformas fossem interrompidas e o uso de diferentes políticas fiscais e monetárias gerassem incerteza e instabilidade.

Política monetária

A política monetária reduziu os juros e tentou expandir o crédito. Mas seus efeitos colaterais são fáceis de serem percebidos. Por um lado, devido a falta de competição, tendo em vista a concentração bancária, o crédito barato não chegou para as famílias, micro e pequenas empresas. Por outro lado, os juros baixos trouxeram desvalorização do real, volatilidade cambial e risco de inflação.

Política fiscal

A política fiscal, buscando mitigar os efeitos do fechamento das cidades, elevou os gastos e permitiu a suspensão das regras de responsabilidade fiscal. Com isso, aumentou-se o déficit e o endividamento em 2020.

Entretanto, os efeitos desta política fiscal não param por aí. Livre para gastar, as três esferas de governo esqueceram as reformas e o objetivos de cortar e racionalizar os gastos públicos. Dessa forma, chegou-se agora no fim do ano com o risco fiscal ou risco de solvência em alta.

Considerações finais sobre as reformas em 2020

Finalmente, viciado em gastos elevados, o governo busca novamente a reforma tributária. Mas o objetivo maior parece ser elevar a carga de impostos para eliminar o déficit público elevadíssimo de 2020 sem cortar gastos. Ou seja, o governo tenta jogar a conta para o setor privado, elevando o risco tributário.

Em síntese, em vez de reformas para cortar e racionalizar os gastos públicos, 2020 gerou um ambiente de instabilidade monetária, fiscal e tributária. Agora, veremos se a chegada das vacinas no início de 2021 pode trazer o governo de volta para o caminho das reformas.

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