Carteira recomendada de ações 10SIM de janeiro

Carteira recomendada de ações 10SIM

A Apex Partners divulga mensalmente um resumo das teses e dos fundamentos por trás das recomendações de ações do BTG Pactual. A carteira de ações 10SIM apresenta 10 ações selecionadas pela equipe de research do BTG, a melhor da América Latina. O objetivo da carteira recomendada 10SIM é selecionar as melhores oportunidades e performances do mercado de ações, sem considerar necessariamente índices de referência ou liquidez. Ela também conta com ações bem diversificadas, resultando em menor risco.

Em dezembro, a Carteira Recomendada de Ações teve uma valorização de 9,2%, performando abaixo do Ibovespa (9,3%) e do IBRX-50 (9,4%).

Desde outubro de 2009, quando o head global de análise e estratégia do BTG, Carlos Sequeira, assumiu o gerenciamento da Carteira, a rentabilidade acumulada é de 292,3%, ante 93,5% do Ibovespa e 128,8% do IBX50.

Perspectivas para 2021

Para este ano, a vacinação já está em andamento, taxas de juros são baixas em todo o mundo e há estímulos adicionais (especialmente nos EUA). Portanto, esses fatores devem manter o apetite ao risco em níveis relativamente elevados, segundo constatou a equipe de análise do BTG.

Quanto ao valuation, o Ibovespa ex-Petrobras e Vale está sendo negociado a 15,2x P/L 2021E, um desvio padrão acima de sua média histórica. Entretanto, após o declínio nas taxas de juros reais de longo prazo, o prêmio para manter ações está quase um desvio padrão acima da média.

Assim, o aumento do apetite pelo risco dos mercados globais pode ser a principal força motriz para as ações dos mercados emergentes em 2021.

As entradas em ações brasileiras por investidores estrangeiros atingiram R$ 33 bilhões apenas em novembro e outros R$ 18 bilhões até 28 de dezembro. Além disso, mesmo depois de todo esse fluxo de entrada, os fundos Globais e GEM (Globais de Mercados Emergentes) ainda têm apenas uma pequena fração de seus recursos alocados no Brasil.

O BTG avaliou os possíveis resultados para a situação fiscal do Brasil. Nesse sentido, concluiu que as chances combinadas de um cenário relativamente positivo são maiores do que as chances de um resultado negativo.

Atividade econômica

Do lado da atividade econômica, os dados mais recentes apontam para uma recuperação robusta e intensa, que surpreendeu positivamente. A recuperação foi especialmente forte nas vendas do varejo e na produção industrial. Com isso, agora o BTG estima que o PIB possa crescer 3,5% em 2021. Os serviços também se recuperaram, mas não tanto.

Porém, a redução no pacote de auxílio emergencial em setembro e no final do programa em dezembro terá um impacto negativo direto sobre a atividade econômica. De fato, indicadores preliminares apontam desaceleração já em novembro.

A preferência do BTG é por setores mais diretamente expostos ao crescimento global (petróleo, materiais básicos), construção e infraestrutura. Além disso, busca-se proteção contra a inflação e benefícios diretos de taxas de juros de curto prazo mais altas.

Embora os atuais valuations possam inicialmente sinalizar um baixo potencial de valorização para o Ibovespa, se as taxas de juros reais de longo prazo caírem para 3% (o nível visto antes da pandemia), o Ibovespa poderia ser negociado a aproximadamente 139 mil pontos, oferecendo um potencial de valorização de 16%.

Alterações na carteira recomendada 10SIM de janeiro

Para a 10SIM de janeiro, a CCR foi removida taticamente, pois não prevê-se nenhum gatilho de curto prazo para a ação, assim como a Magazine Luiza, foi retirada da carteira 10SIM pois o BTG adicionou ações com gatilhos mais relevantes nos próximos meses.

Já para proteção contra o aumento da inflação, foi adicionado o desenvolvedor de software Totvs.

O aumento da inflação e o fim do auxílio emergencial em dezembro podem afetar o consumo no Brasil, reduzindo a exposição a ações relacionadas ao consumo. A exceção são os shoppings, ainda muito atrás do mercado em 2020. A Top Pick do BTG é a Aliansce Sonae, 40% abaixo ante o início de 2020 e bem descontada.

Por fim, devido às taxas de juros de curto prazo em alta, além da recuperação econômica, os bancos se tornam mais atraentes, sendo o Itaú a principal escolha do BTG entre os grandes bancos comerciais do Brasil.

Vale (VALE3)

A história de transformação da Vale é notável, com o renascimento de um gigante da mineração. A tragédia de Brumadinho exerceu forças de choque na gestão, trazendo segurança e uma agenda ESG mais ampla, ao buscar a restauração da credibilidade junto à sociedade.

O BTG acredita na tese da Vale, esperando um dividend yield de 12% em 2021, devido aos fundamentos do minério de ferro fortes, já que a demanda da China continua surpreendendo, crescendo aproximadamente 6% no acumulado do ano, o que levou os preços do minério de ferro acima de US$ 160/t, com expectativas de outro super ciclo.

O BTG definiu 3 pilares de redução do risco da Vale, por meio de um processo gradual: (i) retorno de caixa; (ii) uma forte recuperação dos volumes e redução dos custos futuros; e (iii) uma percepção ESG que melhora marginalmente (longo prazo).

Aliansce Sonae (ALSO3)

Nos últimos meses, o desempenho operacional dos shoppings têm melhorado muito, assim como para a Aliansce Sonae: (i) as vendas recuperaram muito (88% dos níveis pré-Covid em outubro); (ii) eles têm conseguido arrecadar aluguéis quase em linha com a recuperação das vendas; e (iii) as taxas de vacância não aumentaram muito até agora (queda de apenas 130 bps a/a no 3T20).

Suas receitas são ajustadas automaticamente pela inflação passada e fornece aos seus clientes um serviço essencial e de difícil substituição.

Além disso, a Aliansce Sonae tem um balanço sólido com a menor alavancagem entre os pares e as vendas estão se recuperando semanalmente, segundo o BTG, com maior probabilidade de uma vacina.

Por fim, a ALSO3 caiu aproximadamente 40% em 2020, bem descontada.

Petrobras (PETR4)

A visão positiva sobre Petrobras continua refletindo sua resiliência de longo prazo, mesmo sob um ‘novo normal’ para os preços do petróleo.

O foco da Petrobras em projetos de alto retorno no pré-sal significa que deve ser capaz de reduzir o ponto de equilíbrio do petróleo abaixo de $30/bbl. Com isso, abriria caminho para lucros sustentáveis a longo prazo.

Depois de adicionar mais flexibilidade à sua política de dividendos, e com a dívida bruta já em US$ 80 bilhões, o BTG acredita que a empresa pode acelerar os dividendos mais cedo do que o esperado. Portanto, o BTG definiu-a como a proposição de valor mais assimétrica dentro do universo de empresas que cobre.

Gerdau (GGBR4)

A Gerdau possui forte crescimento da receita, baixa alavancagem, geração de FCF, pouca exposição cambial e uma tese temática (imobiliária). O BTG analisou que há uma força estrutural dos mercados imobiliários no Brasil. Além disso, espera-se que a demanda por aços longos continue tendo desempenho superior ao dos planos.

Além disso, a empresa estaria bem posicionada para repassar aumentos de preços e superar as expectativas. Depois de um desempenho forte em 2020, o crescimento esperado é de 12% nas vendas de aço a/a em 2021. Isso com a Gerdau tendo forte posicionamento no segmento de varejo de construção.

Ainda há potencial positivo de expandir a lucratividade nos EUA. Mas as expectativas continuam baixas, levando em conta pacote de infraestrutura. Vê-se a ação negociando a 5,9x o EV/EBITDA 21, abaixo do múltiplo normalizado de 6,5-7x.

Itaú (ITUB4)

Com as taxas de juros de curto prazo em tendência de alta, faz sentido ganhar exposição aos bancos, que devem se beneficiar da recuperação econômica e de uma base de comparação baixa após um 2020 desafiador.

A principal escolha entre os grandes bancos comerciais do Brasil é o Itaú, pois ele parece estar caminhando na direção certa e tomando decisões acertadas para transformar o banco de dentro para fora, analisou o BTG. Se eles também conseguirem se destacar na execução, em algum momento os resultados podem ser mais claros.

Totvs (TOTS3)

O negócio principal da Totvs permanece resiliente, com oportunidades interessantes de venda cruzada e com uma opcionalidade na frente da TechFin. Suas vendas estão diretamente relacionadas ao desempenho da economia em geral.

Portanto, a recuperação da economia deve afetar positivamente as receitas recorrentes da empresa. Além disso, para quem busca uma proteção mais ativa contra o aumento da inflação, ela possui receita ajustada pela inflação.

B3 (B3SA3)

Nos últimos 3 meses, a B3 vem com um desempenho inferior ao mercado, o que reflete: i) o volume de transações em ações na B3 perdendo fôlego; ii) o maior risco macro/político; iii) a divisão de Concorrência do Ministério da Economia defendendo a internalização das ordens no Brasil com vista no aumento da concorrência; e iv) a recente rotação das carteiras para ações de “valor”.

Mas após o alto volume de vendas no papel, o BTG enxerga potencial de valorização para as ações. Embora em ritmo mais lento, os investidores de varejo continuam a aderir à bolsa e os ruídos políticos e da pandemia continuam contribuindo para a forte volatilidade.

Ainda, com taxas de juros nas mínimas históricas, o tema do “financial deepening” permanece em vigor.

Cyrela (CYRE3)

Apesar do surto do Covid-19, vê-se uma recuperação rápida de vendas de imóveis domiciliares no segmento de renda média/alta. A Cyrela divulgou um forte resultado operacional no 3T de 2020 (com lançamentos crescendo 46% a/a e vendas 58% a/a). Considerando os ganhos com o IPO das suas subsidiárias (Lavvi, Plano&Plano e Cury), o BTG espera um excelente lucro e geração de caixa para o 3T.

Isso é impulsionado, principalmente, pelas taxas de hipoteca mais baixas de todos os tempos, com a Cyrela bem posicionada para surfar a recuperação do setor habitacional, tendo marcas diferentes que atendem a todos os segmentos de renda. 

Oi S.A. (OIBR3)

O plano revisado da empresa, aprovado em 8 de setembro, tornou o caso de investimento da Oi muito menos arriscado. Em 14 de dezembro, ela vendeu sua operação móvel para a TIM, Vivo e Claro por R$ 16,5 bilhões mais um contrato de capacidade de longo prazo take-or-pay de R$ 819 milhões assinado entre a Oi e as três operadoras.

Assim, espera-se que o negócio seja concluído no final de 2021. Nesse sentido, a agência reguladora do setor, a Anatel, e o órgão antitruste CADE devem aprovar a transação.

A venda de sua divisão móvel é outra etapa importante no processo de recuperação. A empresa já leiloou o equivalente a R$ 18 bilhões, ou 73% dos R$ 24,5 bilhões que deve arrecadar com a venda de ativos. O próximo passo é o leilão de participação na empresa de infraestrutura da Oi, por um preço mínimo de R $20 bilhões. Assim, espera levantar R$ 6,5 bilhões por uma participação na InfraCo), previsto para acontecer no 1T21.

Suzano (SUZB3)

Com um ambiente favorável de preços de commodities para os próximos meses, a Suzano deve ser beneficiada. Isso porque a demanda deve começar a melhorar ciclicamente, devido a um mercado resiliente de tissue (papel sanitário). Além disso, a recuperação do setor de P&W – segmento de papel de Imprimir e Escrever.

Os produtores já implementaram um aumento de preço de US$ 50/t na China e anunciaram um adicional de US$ 30/t a partir de 1º de janeiro, levando os preços para US$ 530/t. A projeção do BTG é de uma média de US$ 575/t em 2021, afirmando que as ações da Suzano estão subvalorizadas (em uma base normalizada de DCF) e que os investidores estão descontando pouco os benefícios do negócio/corte de custos da Fibria.

Embora a alavancagem esteja longe de ser confortável e possa levar anos para se normalizar, acredita-se que o caminho está claro e considera-se a situação administrável.

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