Como a inflação de 2020 pode impactar o risco fiscal do Brasil em 2021

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Há poucos dias, o IBGE publicou a inflação de dezembro medida pelo IPCA. O resultado foi 1.35%, acima do esperado e acumulando alta em 2020 de 4.5%. Ultrapassado o centro da meta, é preciso analisar quais podem ser o efeitos desta inflação sobre o risco fiscal de 2021.

Esta elevada inflação brasileira em 2020 foi fruto do efeito colateral da política monetária do BCB para reduzir juros e incentivar a atividade econômica doméstica. Consequentemente, o real foi muito desvalorizado, gerando aumento dos preços dos bens comercializáveis.

Assim, em 2020, a despeito da grande recessão que tivemos, a inflação brasileira ficou acima do nível registrado em 2019, quando atingiu 4.3%. E, como previsto, os que mais sofreram com esta situação foram as famílias de menor renda. De acordo com o INPC, que mede a inflação das famílias que ganham de 1 a 5 salários mínimos, fechou o ano em 5.45%. Já o IGP-M, amplamente usado para reajustar os aluguéis, fechou 2020 em 23.1%.

E os efeitos desta inflação não param por ai. Uma vez que, a economia brasileira ainda tem indexação, os efeitos se espalham por vários âmbitos. Em particular, parte dos gastos públicos como salário mínimo e a previdência começam a ser afetados pela correção dos preços dada pela elevada inflação de 2020.

Em síntese, uma política monetária que beneficiou o mercado financeiro, as grandes empresas e /ou exportadoras, elevam agora os gastos públicos, ameaçando descumprir o Teto.

Além disso, dada a rigidez dos gastos e o desinteresse do governo em avançar as reformas em 2020, estes aumentos de gastos públicos podem elevar o risco fiscal e gerar ainda mais instabilidade na economia brasileira em 2021.

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