Como o início da vacinação impacta na Bolsa

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A liberação das vacinas pela Anvisa deu o tom do Ibovespa nesta segunda-feira (18), que fechou em alta de 0,74% e atingiu 121,241 mil pontos. Mas quais são os efeitos, causas e consequências do início da vacinação, que já está em andamento em diversos estados brasileiros? E o que podemos esperar daqui para frente?

“Na semana passada a queda do Ibovespa esteve muito ligada ao aumento do número de casos de uma possível segunda onda. As apreensões geradas na China, por exemplo, levaram à queda dos preços das commodities. A boa notícia sobre as vacinas ajuda a melhorar os ânimos no mercado neste início de semana”, diz o estrategista-chefe da Apx Investimentos Tiago Pessotti.

Apesar disso, boa parte do mercado provavelmente já tinha precificado nos ativos o início da vacinação nos próximos dias porque a liberação já era, de certa forma, previsível. É o que explica o editor-chefe Luan Sperandio: “internamente os diretores já tinham ciência das orientações das Gerências Gerais, isto é, que os relatórios recomendariam o uso emergencial. Isso porque as reuniões da Anvisa, como estas, são marcadas pela apresentação de informações inéditas apenas para público externo. Por conhecer esse protocolo e até por ser questão de tempo a liberação das vacinas em questão no Brasil, visto que já foram aprovadas em dezenas de outros países, boa parte já tinha sido precificada no mercado”, afirma.

Ainda, a lógica do efeito do início da vacinação no mercado acionário é simples. Segundo o economista-chefe da Apex Partners, Arilton Teixeira: “ela reduz a probabilidade de novos fechamentos na economia, que é o método utilizado para se diminuir o contágio e propagação da Covid-19. Com a expectativa da economia crescer entre 2% e 3% em 2021 sem novas restrições devido à intensidade das que ocorreram em 2020, a tendência é o aumento da lucratividade e do valor de mercado das empresas. Logo, há uma valorização dos ativos”, explica.

O evento abre um novo caminho, até na própria percepção pública e no otimismo por parte dos investidores. “Janeiro se iniciou continuando a tendência de forte entrada de capital do estrangeiro na bolsa brasileira, com o ingresso de R$ 15 bilhões nos primeiros 12 dias do mês. O colapso do sistema de saúde em Manaus trazia uma percepção negativa aos estrangeiros, algo que caso não seja revertido rapidamente poderia provocar uma reversão desse fluxo positivo”, analisa Pessotti.

A liberação da vacina também impacta na diminuição do risco político, segundo Sperandio. “Com o aumento de casos e o fim do auxílio emergencial, há pressão por novas restrições e para renovar o programa. Mas, no caso de um novo coronavoucher, isso poderia acarretar no rompimento da regra do Teto. O início da vacinação abre uma luz no horizonte que diminui essas pressões”, analisa.

Já Pessotti finaliza que a grande questão para o fim da pandemia no Brasil é haver a disponibilidade da vacina. Isso porque o sistema de saúde brasileiro é reconhecido pela excelência em programas de vacinação. “No âmbito de programas de vacinação contra a gripe, para efeitos de comparação, já foram registrados casos de até 3 milhões de vacinações em um único dia”, diz.

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