Como a queda na aprovação do governo impacta o mercado financeiro

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Ao longo de janeiro foram divulgadas por alguns institutos de pesquisas queda na aprovação do governo Bolsonaro. Esta é uma importante métrica porque, no mundo político, a popularidade é um dos principais componentes de sua energia política. E isso impacta as expectativas do mercado em relação à continuidade da agenda de reformas estruturais.

De acordo com as pesquisas do Datafolha, Exame/Ideia Big Data e Ipespe houve a formação de um combo de fatores que resultaram nessa queda de prestígio. Ele é composto pelo aumento de contágio de Covid-19; pela atribuição parcial de responsabilidade quanto ao colapso da saúde em Manaus; incertezas sobre a vacinação; falhas de comunicação do Ministério da Saúde na gestão da pandemia; e o fim do auxílio emergencial.

Vale lembrar que, a despeito da queda de popularidade, o governo ainda registra um terço de ótimo/bom, mesmo nos momentos mais delicados, como entre abril e junho. Além disso, em todas as pesquisas a soma dos índices de ótimo/bom e regular ainda supera a maioria.

O que dizem as principais e mais recentes pesquisas

Pelo Datafolha, a avaliação positiva (ótimo/bom) caiu de 37% para 31%, enquanto a avaliação negativa (ruim/péssimo) aumentou de 32% para 40%. Já quem analisa o desempenho do governo como regular oscilou de 29% para 26%.

Assim, um número na pesquisa que chamou a atenção negativamente para o governo foi o dado que 50% dos entrevistados avaliam que o presidente Bolsonaro “não tem capacidade de liderar o país”, contra 46% que pensam o oposto.

Outra questão abordada pelo instituto e cujo resultado chamou a atenção foi o grau de confiança nas declarações de Jair Bolsonaro. 41% apontou que nunca confiam, 38% confiam às vezes e apenas 19% dos entrevistados disseram sempre confiar.

Sobre um eventual processo de impeachment, 53% se declararam contrários, ante a 42% que são favoráveis. Vale lembrar que na pesquisa de maio/20 o impeachment chegou a ter 46% de apoio, segundo o instituto.

Já no levantamento da Exame/IdeiaBig Data, houve queda de aprovação de 37% para 26%, e a desaprovação subiu de 38% para 45%. A avaliação regular oscilou de 24% para 26%, com queda principalmente entre a população do norte e nordeste, mas consistente entre todas as faixas de renda.

Além disso, o levantamento questionou ainda a avaliação do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Nesse sentido, 28% dos entrevistados consideram seu trabalho ótimo/bom; 33% o avaliam como regular; e 32% analisam seu trabalho como ruim/péssimo.

Já o levantamento do Ipespe de janeiro seguiu a mesma tendência, com a avaliação positiva do governo Bolsonaro caiu seis pontos (de 38% para 32%), a negativa crescendo cinco pontos (de 35% para 40%) e a regular passando de 25% para 26%. Foi a pior avaliação do governo pelo instituto desde julho/20, quando a avaliação negativa registrou 45% e a positiva 30%.

O levantamento apontou que o apoio entre quem votou no presidente em 2018 caiu de 63% para 54%, e a avaliação negativa subiu de 7% para 21% entre quem votou no presidente.

Em suma, como a pesquisa foi realizada até o dia 14, não deve ter capturado totalmente alguns eventos importantes nos últimos dias, como o colapso da saúde em Manaus e a liberação de vacinas pela Anvisa.

Nem todas as pesquisas capturaram queda de popularidade

A avaliação do governo Bolsonaro na nova pesquisa do PoderData mostrou resiliência da aprovação do governo. A avaliação positiva ficou estável, com 35%, enquanto a negativa oscilou 1% para menos, registrando 43%, e a regular subiu de 18% para 20%.

A desaprovação do governo caiu de 52% para 48% e a aprovação, que era de 44%, subiu para 45%.

Isso significa que a pesquisa do PoderData, que ocorreu entre os dias 18 e 20 de janeiro, não capturou danos à popularidade do governo, apesar do barulho de movimentos anti-bolsonaristas nas redes, alguns panelaços e falas de parlamentares em defesa de seu impeachment.

Já o levantamento da Exame/Ideia Big Data, que foi divulgado no dia 15 de janeiro, apontou que a avaliação positiva do governo cresceu de 35% em novembro para 38%. Já a avaliação negativa caiu de 38% para 34%, com quem analisa o governo como regular mantendo-se em 27%.

O que esperar daqui para frente

O governo Bolsonaro começou 2021 pressionado por diversas questões decorrentes da crise sanitária e econômica. Isso porque o fim do auxílio emergencial tem demandado uma resposta social. Além disso, há críticas de setores da sociedade em relação à condução do governo na questão das vacinas e da crise sanitária; assim como, uma pressão por parte do mercado para a continuidade da agenda de reformas que resultem na estabilização da dívida pública e melhore o ambiente de negócios.

Apesar da queda de popularidade após o  fim do auxílio emergencial, o movimento já era esperado. É possível que ainda caia um pouco mais nos próximos levantamentos. No entanto, o início da vacinação e uma retomada econômica podem ajudar o governo a recuperar parte dos desgastes dos últimos meses.

Em grave crise fiscal, a prorrogação do auxílio sem desrespeitar o Teto de Gastos é inviabilizada. Entre as opções do governo estão uma nova liberação do FGTS; a antecipação do 13º salário para aposentados e pensionistas; e fortalecer o bolsa família a depender da quantidade de recursos liberados a partir da PEC Emergencial.

Como em política tudo pode mudar, esse cenário base listado pode mudar a depender do nível de recrudescimento da pandemia. Uma piora nos contágios pode motivar novos fechamentos, como já se vê em São Paulo e Belo Horizonte, o que aumenta a pressão por maiores gastos fiscais.

Todavia, vale considerar a inteligência do governo de distanciar-se da ala ideológica do Congresso. Ao aproximar-se do centrão em 2020, trocando as lideranças na Câmara e no Senado, o resultado foi a maior média de votos no Congresso em 10 anos. E isso é um bom indicativo de energia política para a continuidade das reformas.

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