Resolvendo o “trade off” entre compra pública e privada de vacinas

Compra privada de vacinas

Recentemente, um consórcio de empresas privadas brasileiras tentou comprar vacinas contra a Covid-19 para serem vendidas no mercado doméstico. Imediatamente, vieram as críticas. A ideia é que a compra privada de vacinas pode gerar alteração na ordem das prioridades de vacinação e prejudicar a redução do número de mortes. Por exemplo, um jovem de 20 anos de alta renda compra a vacina que poderia estar sendo usada para vacinação de um idoso.

Como os jovens tem probabilidade baixa de morrer devido à doença, esta vacinação não iria reduzir o número de mortes. Como o objetivo da sociedade é minimizar o número do mortes, tal compra privada poderia prejudicar que este objetivo seja alcançado.

Mas, para a vacinação privada gerar este efeito, é necessário que esteja ocorrendo um “trade off”. Ou seja, no nosso exemplo, uma única vacina pode ser usada no jovem ou no idoso. Se o jovem pode comprar e o idoso não, este “trade off” representa um conflito entre os objetivos do jovem e os da sociedade. Mas este “trade off” está ocorrendo? Em outras palavras, se o jovem for vacinado, o idoso vai deixar de ser vacinado no Brasil?

Esse trade off provavelmente não ocorre com a compra privada de vacinas

A resposta provavelmente é: não. A vacina que o consórcio de empresas privadas brasileira está comprando não está reduzindo o numero de vacinas que o governo brasileiro vai comprar. Se o consórcio não comprar, as vacinas devem ir para outro pais.

Entretanto, eu disse “provavelmente”. Para eliminar totalmente esta possibilidade, basta que o consórcio brasileiro dê uma opção de compra de todo o lote de vacinas (ou de parte) para o governo brasileiro. Esta opção pode ser exercida assim que as vacinas chegarem ao país.

Com isso, dois objetivos serão atingidos simultaneamente. Primeiro, é garantido um aumento de vacinas para ser usado no Brasil. E, além disso, elimina-se o problema gerado pela compra privada de vacinas, burlando a ordem de prioridade e não comprometendo o objetivo de minimizar as mortes no país.

Em síntese, dada esta opção de compra ao governo, o consórcio deve manter, ou ampliar, as compras de vacinas. Afinal, esta compra privada atinge outro objetivo, pois gera mais informação para a sociedade: não é a falta de vacinas que está impedindo o governo brasileiro de comprar.

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