Visão do Estrategista: Oportunidades no horizonte e velhas ameaças

O desempenho do mercado acionário em janeiro foi negativo nas principais bolsas globais, mas o Ibovespa descolou, caindo ainda mais em virtude de riscos sanitários e incertezas políticas e fiscais. 

No entanto, as perspectivas a partir de fevereiro se apresentam melhores, com oportunidades interessantes de alocação de recursos em especial na renda variável. 

Cenário internacional 

O cenário econômico global em 2021 se mostra construtivo em virtude da manutenção de fortes estímulos monetários e fiscais nas principais economias desenvolvidas. Apenas o último pacote da administração de Donald Trump e o primeiro projetado por Joe Biden nos Estados Unidos representam cerca de 10% do PIB dos Estados Unidos, por exemplo.

Além disso, há expectativa de avanços significativos na vacinação contra a Covid-19, em especial nos Estados Unidos e no Reino Unido. Dessa forma, a economia norte-americana aponta para uma retomada vigorosa da demanda e da atividade econômica. 

Já a economia chinesa continua apresentando bons indicadores de crescimento econômico, puxando a demanda de commodities, como soja, minério de ferro e cobre, o que beneficia economias emergentes exportadoras.

No campo monetário, os principais Bancos Centrais estão comprometidos com a manutenção de políticas extremamente acomodativas, sem paralelo na história. Apesar do risco inerente da pandemia, com a possibilidade de novas mutações da Covid-19, os altos níveis de incerteza vistos em 2020 já não fazem parte do cenário para 2021. 

A expectativa é que em médio prazo os avanços na vacinação e o próprio sucesso dos estímulos macroeconômicos levarão a discussões sobre a redução dessas políticas de estímulo. Porém, no curto prazo, o cenário base é de expansão e crescimento econômico.

Cenário doméstico 

A evolução do cenário econômico em 2021 está condicionada à evolução da pandemia e da vacinação da Covid-19, além de definições nas políticas fiscais que permitam a estabilização da dívida pública. 

A eleição de Arthur Lira (PP/AL) e de Rodrigo Pacheco (DEM/MG) para, respectivamente, as presidências da Câmara dos Deputados e do Senado apontam para uma melhoria da relação entre o Executivo e o Legislativo. Dessa forma, há perspectiva de melhora nas expectativas de aprovação de reformas estruturais em médio prazo. Na primeira semana de mandatos, ambos buscaram demonstrar capacidade de articulação, liderança e compromisso com a agenda de reformas. Assim, a Câmara dos Deputados aprovou a autonomia do Banco Central e o novo Marco Legal do Câmbio, enquanto no Senado avançou o Novo Marco do Setor Elétrico. Embora tratavam-se de projetos em que havia consensos firmados já há tempos, os avanços simbolicamente foram muito importantes. 

Na outra ponta, cresceu a pressão para o governo dar uma resposta social para o fim do auxílio emergencial. A expectativa é que tanto os valores quanto o número de beneficiários seja menor, além deste ser condicionado a contrapartidas. Ela deve vir a partir da aprovação da PEC Emergencial, que deve ser abastecida com dispositivos antes presentes na PEC do Pacto Federativo. O problema é que a aprovação desta depende de duas votações com maioria qualificada em ambas as casas legislativas, o que pode levar mais tempo do que o demandado. Assim, há ainda a possibilidade do novo auxílio vir a partir de uma Medida Provisória que abra crédito suplementar, algo que formalmente não furaria a Regra do Teto de gastos. Outras respostas paliativas possíveis são nova liberação do FGTS e adiantamento de benefícios de pensionistas e aposentados. 

Além do auxílio, as próximas prioridades do governo serão a aprovação do orçamento de 2021 e da PEC Emergencial, que tramita no Senado e depende ainda da apresentação do relatório do Senador Marcio Bittar (MDB-AC). Há expectativas de avanços da reforma tributária, caso haja desidratação das PECs que já tramitam no Congresso. Por outro lado, a reforma administrativa tende a ter tramitação menos complexa e foi encaminhada para a Comissão de Constituição e Justiça.  

Por conseguinte, o cenário base político é composto pela retomada da agenda de reformas e do compromisso com a solvência fiscal. O problema é que a janela de reformas tende a fechar em março de 2022, quando as atenções se voltarão para o processo político. Isto é, o período é curto para uma grande demanda por reformas.

Por outro lado, há velhas ameaças, como o risco político de interferências do governo em empresas de capital misto, como em eventual mudança no comando da Petrobras e Banco do Brasil. O presidente Bolsonaro também sugeriu em entrevista recente eventuais mudanças no setor elétrico, o que pode impactar diretamente a Eletrobras. Os próximos dias serão decisivos a fim de verificar o desenrolar dessas ameaças.

No campo sanitário, o Brasil, que possui ótimo histórico de campanhas de vacinação, conseguiu imprimir celeridade maior do que a grande maioria dos países, superando a marca de 5,5 milhões de vacinados. O problema se dá na disponibilização dos insumos para a vacinação em massa, que tem vindo à conta gotas e, por exemplo, acabou por paralisar a vacinação no Rio de Janeiro.  

Já na perspectiva monetária, a taxa de câmbio brasileira tem operado em níveis depreciados em relação aos preços de commodities e das taxas de câmbio de outras economias emergentes. Assim, havendo evolução da agenda e normalização parcial da política monetária (com o início do aumento da Selic até meados do ano), esse descolamento deve diminuir.

Alocação de recursos 

Janeiro foi um mês complexo para a renda variável, com turbulências políticas internacionais na Geórgia e nos Estados Unidos, e um desempenho da geração de empregos aquém das expectativas na economia americana. 

Esse movimento foi refletido no índice VIX, que analisa a volatilidade do mercado acionário, atingindo a pontuação de 38. Desde novembro ele performou abaixo de 25, o que demonstra quão relevante, rápido e intenso de incertezas desses episódios. A partir de fevereiro, ele recuou para aproximadamente 20 pontos. 

Se, por um lado, eventuais novos fechamentos da economia norte-americana podem reduzir o consumo e acarretar desemprego, os estímulos devem incrementar a taxa de poupança americana. Assim, vemos um bom cenário de alocação de recursos em ativos de risco nos Estados Unidos. 

No campo brasileiro, incertezas domésticas perante às eleições na presidência da Câmara e do Senado foram supridas e agora investidores se concentram no início da temporada de balanços das empresas. 

Para quem está com posição maior do que a comum em renda variável por ter aproveitado os ganhos dos últimos meses, pode fazer sentido a redução para realização de lucros. Isso pode ser feito a partir de operações estruturadas a partir do mercado de opções, que dá barreiras de queda para as ações compradas. 

Estamos vendo abertura de bons fundos multimercado que estavam fechados, como o Giant Zarathustra, Itaú Hedge Plus, Navi Long Biased e Verde AM 60. 

taxa de crescimento anual composta projetada pelo BTG para 2021 em comparação com 2019 de alguns segmentos, como software, healthcare, real estate e infraestrutura registram números superiores a 70%. Em comparação, a performance de alguns destes setores na bolsa se mostra aquém deste patamar. Como a bolsa busca antecipar a lucratividade das empresas, é de se esperar que haja a valorização dos ativos desses setores. 

Por fim, com os juros baixos, a alocação em ações por investidores locais terminou 2020 em 15,2%, o maior nível desde 2010. Se esta retomar aos níveis de 2007 (22%), significaria aumento de aproximadamente R$ 240 bilhões no AuM dos fundos de ações, isto é, nos ativos sob gestão. 

O movimento de retorno do capital estrangeiro no Ibovespa, iniciado em novembro, continua neste ano, com saldo de R$ 26,21 bilhões até o dia 12 de fevereiro, sendo R$ 2,65 bilhões apenas neste mês. 

Uma das oportunidades em renda variável estão nos Fundos Imobiliários: o Ifix está bastante descontado em relação ao cenário pré-pandemia (aproximadamente 10%), não tendo recuperado na mesma velocidade que a bolsa. Há ativos pagando dividendos superiores a 7,5% ao ano líquido de renda mensal paga, com algumas oportunidades interessantes, em especial em FIIs de galpões logísticos que abriram subscrição e estão com cotas com descontos consideráveis. 

Já para proteções de patrimônio, ainda estamos alocando em dólar e ouro. Mas, conforme a última Visão, incrementamos a posição de clientes que toleram um pouco mais de risco em Bitcoin em virtude de o ativo ter valorizado sete vezes nos últimos 12 meses e, recentemente, ter ultrapassado 55 mil dólares. Há fundos de ação no BTG Pactual que facilitam essa aplicação, inclusive. 

Já na alocação de renda fixa, há alguns produtos interessantes no mercado para se proteger de inflação, como debêntures, CRI e CRA relativamente curtas e que pagam até IPCA + 4.

 
Disclaimers 

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